Pular para o conteúdo
Manutenção15 min

Quanto tempo dura um ar condicionado (e quando trocar em vez de consertar)

Seu aparelho tem alguns anos, começou a dar problema, e alguém já falou em trocar. A conta que decide isso não é a idade: veja como pesar reparo, consumo, peça e tipo de gás antes de aprovar qualquer orçamento.

Jeozadaque Roberto

Jeozadaque Roberto

Líder Técnico

Em resumo: um ar condicionado split bem instalado e com manutenção em dia trabalha em torno de 15 anos. É a premissa que a EPE, ligada ao Ministério de Minas e Energia, usa nos estudos do setor elétrico brasileiro, e a base de campo da ASHRAE mostra aparelhos split ainda em operação com idade mediana de 19 anos.

Só que idade não é o critério de troca. O que decide é a conta entre custo do reparo, consumo, disponibilidade de peça e tipo de gás. Na regra prática: menos de 10 anos com peça disponível e defeito localizado, conserta; mais de 15 anos pedindo compressor ou placa e rodando com R-22, troca.

E não existe regra oficial de "troque se o conserto passar de X%". Quem diz que existe está repetindo folclore de mercado.

Seu ar condicionado tem uns anos de casa, começou a dar problema, e apareceu a frase que ninguém quer ouvir: "esse aí já era, melhor trocar". A dúvida seguinte é sempre a mesma. Ele já deu o que tinha que dar, ou dá pra consertar e seguir por mais uns anos?

Idade sozinha não responde isso. Quem responde é a conta que eu faço em campo antes de recomendar reparo ou substituição.

Quanto tempo dura um ar condicionado, por tipo

Um ar condicionado split dura em torno de 15 anos, e o aparelho de janela em torno de 10. Os números que circulam por aí vão de 8 a 30 anos, o que já mostra que a maioria é chute. As referências que se sustentam são estas três, e elas medem coisas diferentes:

ReferênciaO que ela diz
EPE / Ministério de Minas e Energia (Nota Técnica 030/2018)Adota 15 anos de vida útil para o ar condicionado residencial representativo brasileiro, com uso médio de 8 horas por dia nos quatro meses de verão.
Base de vida útil da ASHRAE (levantamento de campo)Aparelhos split ainda em operação com idade mediana de 19 anos. É retrato do parque instalado, não previsão de durabilidade: quem já saiu de serviço não entra na conta.
Tabela de expectativa de vida do ASHRAE Handbook (capítulo de custos de propriedade e operação)15 anos para split residencial e comercial, 10 anos para aparelho de janela.

Por que a divergência: a EPE trabalha com premissa de planejamento energético brasileiro, a base de campo da ASHRAE retrata equipamento americano ainda em uso, e a tabela do Handbook é estimativa de vida de serviço. Os três convergem no mesmo lugar prático: 15 anos é a régua de planejamento, e passar disso é possível e comum quando o aparelho foi bem instalado e bem cuidado.

Não achei nenhuma norma brasileira que fixe vida útil de split, e vale dizer isso com todas as letras: quem cita "a norma diz 10 anos" está inventando. A NBR 13971 trata de manutenção de sistemas de climatização, não de durabilidade de aparelho.

Então a faixa realista é essa: 15 anos como referência de planejamento, com aparelho bem cuidado passando disso e aparelho maltratado morrendo bem antes. A diferença entre um caso e outro quase nunca é a marca. É instalação e manutenção.

O que encurta a vida do aparelho (e o que a alonga)

Cinco fatores decidem a vida útil de um ar condicionado: instalação, limpeza, dimensionamento, rede elétrica e ambiente. Marca não entra na lista. Na ordem em que pesam:

  • Instalação. Tubulação com curva estrangulada, vácuo mal feito, solda porca, dreno com caimento errado e cabo subdimensionado condenam o equipamento antes do primeiro verão. É por isso que a instalação bem executada sai barata perto do que custa refazer tudo depois.
  • Limpeza. Filtro e serpentina sujos obrigam o compressor a trabalhar mais para entregar o mesmo frio. É desgaste que se acumula devagar, sem dar sintoma, e é o que separa 8 anos de 18.
  • Dimensionamento. Aparelho pequeno demais para o ambiente vive em regime forçado e nunca desliga. Aparelho grande demais liga e desliga o tempo todo, e partida é o momento de maior esforço do compressor. O caminho é calcular os BTUs pelo ambiente real, não pela metragem no olho.
  • Rede elétrica. Tensão instável, disjuntor errado e falta de aterramento cobram a conta na placa eletrônica, que é uma das peças mais caras do aparelho.
  • Ambiente. Maresia, poeira pesada de obra e cozinha industrial atacam a serpentina e a estrutura. Em ponto de litoral ou perto de indústria, é razoável esperar menos vida útil.

Ou seja, boa parte do resultado está sob seu controle. Limpeza periódica bem feita custa pouco e devolve anos de aparelho.

Os sinais de que o fim está chegando

Um aparelho não morre de um dia para o outro. Ele avisa:

  1. Não entrega mais a temperatura de antes, mesmo depois de limpeza e com a carga de gás correta.
  2. A conta de luz subiu sem mudança de hábito de uso.
  3. Vazamento de gás recorrente, com recarga a cada temporada. Gás não se gasta em circuito fechado: se some, tem furo. Está tudo explicado em carga de gás: preço e quando realmente precisa.
  4. Barulho novo e persistente vindo da condensadora, principalmente ruído de compressor esforçado.
  5. Corrosão visível na serpentina, na base ou na estrutura.
  6. Peça em falta. Quando placa, compressor ou hélice viram encomenda de semanas, a operação fica refém.

O sinal 6 costuma decidir sozinho. Um aparelho parado por 20 dias esperando peça em pleno janeiro é caro de um jeito que não aparece no orçamento.

A conta de consertar ou trocar

Não existe regra oficial que diga quando trocar um ar condicionado. A famosa regra dos 50% (se o conserto passar da metade do preço de um aparelho novo, troque), assim como a "regra dos 5.000 dólares" importada dos Estados Unidos, não vem de entidade técnica nem de órgão de defesa do consumidor: é raciocínio de mercado repetido até virar lenda. Eu, Jeozadaque, da liderança técnica da Watt, fui conferir as publicações do Procon-SP e do Idec sobre eletroeletrônicos antes de escrever isto, e nenhuma delas traz critério percentual de reparo contra troca. O problema da regra dos 50% é que ela ignora justamente as variáveis que decidem o caso: idade do aparelho, tipo de gás e disponibilidade de peça.

O que existe é uma conta, e ela tem cinco entradas:

  • O custo do reparo, com peça e mão de obra, por escrito.
  • A idade do aparelho frente à referência de 15 anos.
  • O que mais vai quebrar em seguida. Trocar compressor num aparelho de 14 anos costuma ser adiar o inevitável por um preço alto.
  • O gás que ele usa. Aparelho antigo de R-22 tem futuro caro, e o motivo está no tópico seguinte.
  • O consumo. Um equipamento antigo entrega o mesmo frio queimando mais energia todo mês, e isso é dinheiro que sai sem aparecer.

Como eu resumo isso na visita: reparo barato em aparelho de meia-idade quase sempre vale a pena. Reparo caro em aparelho velho, com peça difícil e gás em descontinuação, quase nunca. A zona cinzenta fica no meio, e nela a decisão é sua, desde que o orçamento mostre a conta em vez de esconder.

Sobre ordem de grandeza, que é o que falta na maioria dos textos sobre isso: o compressor é a peça mais cara do aparelho, e o serviço vai além dela, porque envolve recolhimento do gás, solda, vácuo e nova carga. Pelo que eu vejo em campo, num split que já passou dos 12 anos esse conjunto se aproxima do preço de um equipamento novo equivalente, e é onde a troca costuma vencer. Já capacitor, sensor, dreno e placa ficam em outro patamar, bem mais baixo, e quase sempre valem o conserto. Para comparar com o custo do outro lado da conta, o guia de quanto custa instalar um ar condicionado mostra o que entra no preço de um equipamento novo instalado.

A decisão, por situação do aparelho:

Situação do aparelhoO que costuma valer
Menos de 10 anos, defeito localizado, peça disponívelConsertar
Entre 10 e 15 anos, reparo de valor médio, gás R-410A ou R-32Consertar agora e deixar a troca no orçamento do ano seguinte
Mais de 15 anos, pede compressor ou placa, roda com R-22Trocar
Qualquer idade, peça em falta com prazo de semanasTrocar, porque a parada custa mais que a diferença

O fator gás: por que o R-22 muda a decisão

Se o seu aparelho é anterior a 2011 e nunca foi trocado, a chance de ele rodar com R-22 é grande. Esse gás está sendo eliminado no mundo inteiro pelo Protocolo de Montreal, e no Brasil a eliminação é feita por cota anual de importação, não por proibição.

O número que interessa está na Instrução Normativa IBAMA nº 20/2022: o teto de importação de HCFC-22 cai de 365,79 toneladas PDO (a tonelada PDO é a medida ponderada pelo potencial de destruição da camada de ozônio) em 2025 para 87,03 toneladas em 2027, uma queda de cerca de 76% em dois anos, seguindo até a eliminação total em 2040.

O que isso quer dizer na prática:

  • R-22 não é ilegal e não está proibido. Recarregar seu aparelho hoje é permitido.
  • Mas ele fica cada vez mais escasso, e escassez programada significa preço de recarga subindo ano a ano.
  • Quem afirma que "o R-22 foi proibido em 2022" ou que "acaba em 2030" está errado. A norma vinculante é a do IBAMA, e ela põe o zero em 2040.

Num aparelho de R-22 com vazamento, o custo de manter o sistema vivo tende a subir a cada temporada. Isso não obriga a trocar hoje, mas entra na conta com peso.

O fator conta de luz: quanto um aparelho antigo gasta a mais

Aparelho novo consome menos, e nesse caso a régua oficial existe. A Portaria Inmetro nº 269/2021 mudou a forma de medir eficiência de ar condicionado no Brasil, adotando o IDRS (Índice de Desempenho de Resfriamento Sazonal), que avalia o aparelho também em carga parcial, e não só no máximo.

O aperto foi grande. Para split, a classe A exigia índice de 5,50 e passou a exigir 7,00 para os aparelhos fabricados a partir do fim de 2025. O piso legal, a classe F, subiu de 3,14 para 3,50.

Uma ressalva que quase todo texto sobre isso pula: o índice antigo (CEE) e o atual (IDRS) não são diretamente comparáveis, porque medem de formas diferentes. Por isso eu não repito aqui o famoso "o inverter economiza 30%": procurei esse número no Inmetro, no Procel e na EPE e ele não existe como dado oficial, só como teste de fabricante.

A comparação que vale é a concreta: pegue o consumo em kWh por mês na etiqueta ENCE (a Etiqueta Nacional de Conservação de Energia, aquela tarja colorida de A a F) do seu aparelho, se ainda tiver, e compare com o de um modelo atual equivalente na tabela do Programa Brasileiro de Etiquetagem, do Inmetro. A diferença que aparecer ali é a do seu aparelho, e vale mais que qualquer percentual de propaganda. Se a conta de luz é a sua preocupação principal, vale ler também o que faz o ar condicionado pesar na conta, porque o modo de uso muda o resultado tanto quanto o equipamento.

Se o aparelho é da sua empresa: o prazo fiscal é outro

Para empresa existe uma régua adicional: a Receita Federal classifica máquinas e aparelhos de ar condicionado (NCM 8415) com prazo de vida útil de 10 anos e taxa anual de depreciação de 10%. Está na Instrução Normativa RFB nº 1.700/2017, Anexo III, que é a tabela oficial de depreciação usada na apuração do IRPJ e da CSLL.

Cuidado com a leitura: 10 anos é prazo fiscal, não previsão técnica de durabilidade. O aparelho pode passar bem disso ou morrer antes. Mas essa régua ajuda a defender internamente uma substituição planejada, principalmente quando somada ao custo de parada. Numa loja, clínica ou escritório, o prejuízo de ficar sem climatização em janeiro costuma ser maior que a diferença entre reparo e troca, e é isso que sustenta manter a substituição no orçamento antes da quebra. É a mesma lógica do contrato de manutenção com plano documentado: trabalhar para a parada não acontecer.

O que a lei garante no conserto

Se você decidir consertar, o Código de Defesa do Consumidor (Lei 8.078/1990) te garante três coisas: peça nova ou original no reparo, 90 dias para reclamar do serviço e o direito de exigir a reexecução quando o conserto não resolve. Vale conhecê-las antes de aprovar o orçamento:

  • Peça nova ou original. O artigo 21 estabelece que, no reparo, é obrigação implícita empregar componentes de reposição originais e novos, ou que mantenham as especificações do fabricante, salvo autorização em contrário do consumidor.
  • 90 dias para reclamar do serviço. O artigo 26, inciso II, dá 90 dias para reclamar de vício em serviço e produto durável, contados da conclusão do serviço. E o parágrafo 3º garante que, em vício oculto, esse prazo só começa a correr quando o defeito aparece.
  • Conserto que não resolve dá direito a escolher. O conserto é serviço, e o artigo 20 permite exigir, à sua escolha, a reexecução sem custo adicional, a devolução do valor pago ou o abatimento proporcional do preço. Vale distinguir do artigo 18, parágrafo 1º, que é a regra do vício de produto: nele, se o defeito não for sanado em 30 dias, você pode pedir a troca do aparelho, a devolução do valor ou o abatimento. Um trata do serviço que você contratou, o outro do produto que você comprou.

Garantia por escrito é complementar à legal, nunca substituta (artigo 50). É por isso que aqui em casa a proposta sai itemizada, com o que foi feito e a garantia registrada. É isso que te permite cobrar depois.

Como fazer o ar condicionado durar mais

Estender a vida útil do ar condicionado depende de cinco hábitos: filtro limpo a cada 15 ou 30 dias, higienização técnica periódica, condensadora desobstruída, sintoma pequeno resolvido cedo e temperatura em faixa razoável. Um por um:

  1. Limpar filtro a cada 15 ou 30 dias no uso intenso, você mesmo, com água e sabão neutro, seco à sombra.
  2. Higienização técnica periódica, que alcança serpentina, turbina e bandeja, onde o filtro não chega. A frequência depende do uso e do ambiente, e o custo está aberto em quanto custa a limpeza de ar condicionado.
  3. Manter a condensadora respirando, sem parede colada, sem cobertura improvisada e sem entulho ao redor.
  4. Não deixar sintoma pequeno virar hábito. Ruído novo, gelo na serpentina, água pingando e queda de rendimento são avisos, e aparelho que não gela direito raramente melhora sozinho.
  5. Usar em temperatura razoável. Termostato no extremo não gela mais rápido, só faz o compressor trabalhar mais tempo.

O que fazer com o aparelho velho

O descarte tem obrigação legal, e ela vem em duas partes.

O gás precisa ser recolhido. A Instrução Normativa IBAMA nº 5/2018 proíbe, no artigo 5º, a liberação intencional de substância controlada na atmosfera durante instalação, manutenção, reparo ou descarte, e o artigo 6º torna obrigatório o recolhimento apropriado com destinação a centros de regeneração ou incineração. A regra alcança de forma inequívoca o R-22 e os demais gases que destroem a camada de ozônio. Para os gases modernos, como o R-410A e o R-32, o Brasil promulgou a Emenda de Kigali pelo Decreto 11.666/2023, que os coloca no cronograma internacional de redução, e recolher também esses fluidos é a prática correta que qualquer empresa séria já adota. Técnico que corta a tubulação e deixa o gás sair está cometendo infração ambiental quando o fluido é substância controlada, e má prática em qualquer situação.

O equipamento entra na logística reversa de eletroeletrônicos, prevista no artigo 33, inciso VI, da Lei 12.305/2010 e regulamentada pelo Decreto 10.240/2020, cujo Anexo I lista nominalmente aparelho de ar condicionado de janela, portátil e split. Tem um detalhe que muda o caminho: esse sistema de pontos de recebimento é para produto de uso doméstico. O split de escritório ou de loja fica sob a responsabilidade geral do gerador do resíduo, então empresa precisa combinar a destinação, e não deixar o aparelho velho no pátio.

Consertar ou trocar: fechando a conta

Se o seu aparelho tem menos de 10 anos, o defeito é localizado e a peça existe, conserte com tranquilidade. Se passou dos 15, roda com R-22, já teve vazamento antes e agora pede compressor ou placa, a substituição costuma ser a decisão mais barata no horizonte de dois ou três anos, mesmo custando mais hoje.

E entre um extremo e outro, exija a conta antes de decidir: diagnóstico do que está com defeito, valor do reparo por escrito, e uma opinião clara sobre o que vem depois.

Se você é de São Paulo ou da Grande SP e quer essa avaliação com alguém que vai te dizer também quando não vale consertar, a Watt faz diagnóstico e conserto de ar condicionado e manutenção preventiva com plano documentado para residência e empresa. Para adiantar o diagnóstico, me manda a marca e a capacidade em BTU do aparelho, quantos anos ele tem e o que exatamente ele está fazendo (ou deixando de fazer). Com isso já dá para dizer se o caso cheira a reparo simples ou a fim de vida. A visita técnica de levantamento é sem compromisso, e o orçamento sai itemizado, com garantia registrada por escrito. Preço de reparo varia com o defeito, o modelo e o acesso, então não existe valor de prateleira aqui: cada projeto é um projeto.

As perguntas que mais aparecem nessa conversa estão logo abaixo.

Perguntas Frequentes
  • Quanto tempo dura um ar condicionado split?+

    A referência mais sólida para o Brasil é a da EPE, ligada ao Ministério de Minas e Energia, que adota vida útil de 15 anos para o ar condicionado residencial representativo em seus estudos do setor elétrico. O banco de dados de campo da ASHRAE, entidade técnica internacional de climatização, aponta mediana de 19 anos para sistemas split, enquanto a tabela clássica da mesma entidade usa 15 anos. Nenhuma norma brasileira fixa esse número, então quem afirma "a norma diz 10 anos" está inventando. Na prática, 15 anos é uma boa régua de planejamento: aparelho bem instalado e com limpeza em dia passa disso com folga, e aparelho maltratado morre bem antes.

  • Quanto tempo dura um ar condicionado de janela?+

    A tabela de expectativa de vida da ASHRAE atribui cerca de 10 anos ao aparelho de janela, contra 15 do split. A diferença é mecânica: no aparelho de janela o compressor, o condensador e o evaporador ficam no mesmo gabinete, dentro do ambiente, sujeitos a mais vibração, mais calor acumulado e mais sujeira. Também é um equipamento com menos oferta de peça hoje, o que encurta a vida útil prática mesmo quando a mecânica ainda aguenta.

  • Quanto tempo dura um ar condicionado inverter?+

    Não existe estudo público brasileiro que separe a vida útil do inverter da do convencional, então qualquer número específico que você encontrar é estimativa comercial. O que dá para afirmar com base técnica é o mecanismo: o inverter modula a rotação do compressor em vez de ligar e desligar o tempo todo, e a partida é justamente o momento de maior esforço do compressor. Menos partidas significa menos desgaste no ponto mais crítico. A contrapartida é que ele tem eletrônica embarcada, que é sensível a instabilidade de rede, então aterramento e proteção elétrica passam a importar mais.

  • Vale a pena consertar um ar condicionado antigo?+

    Depende de cinco coisas, e vale conferir todas antes de decidir: o custo do reparo por escrito, a idade do aparelho frente à referência de 15 anos, o que provavelmente vai quebrar em seguida, o tipo de gás que ele usa e o consumo atual. Reparo barato em aparelho de meia-idade quase sempre compensa. Reparo caro em aparelho velho, com peça difícil e gás R-22, quase nunca. Cuidado com a "regra dos 50%" que circula como se fosse padrão técnico: ela não vem de entidade técnica nem de órgão de defesa do consumidor. Conferi as publicações do Procon-SP e do Idec sobre eletroeletrônicos e nenhuma traz critério percentual de reparo contra troca.

  • Quanto custa trocar o compressor do ar condicionado?+

    O compressor é a peça mais cara do aparelho, e o serviço vai além dela: entra recolhimento do gás, solda, vácuo, nova carga e mão de obra especializada. Por isso o valor não se compara a um reparo comum de capacitor ou sensor. Pelo que eu vejo em campo, num split que já passou dos 12 anos o conjunto compressor mais gás mais mão de obra costuma se aproximar do preço de um equipamento novo equivalente, e aí a troca costuma vencer. Não existe valor de prateleira aqui: peça o orçamento itemizado, com peça e serviço separados, antes de aprovar.

  • O que estraga o compressor do ar condicionado?+

    Quase nunca é defeito de fábrica. Os quatro causadores mais comuns são serpentina e filtro sujos, que obrigam o compressor a trabalhar mais para entregar o mesmo frio; subdimensionamento, que faz o aparelho nunca desligar; excesso de partidas, geralmente por aparelho grande demais para o ambiente; e rede elétrica instável, sem aterramento adequado. Falta de gás por vazamento não corrigido também mata compressor, porque o próprio gás é o que carrega o óleo de lubrificação.

  • Meu aparelho usa R-22. Ainda dá para recarregar?+

    Dá, e é legal. O R-22 não está proibido no Brasil: ele está sob cota anual de importação decrescente, definida pela Instrução Normativa IBAMA nº 20/2022, seguindo o Protocolo de Montreal. O ponto de atenção é o preço. O teto de importação cai de 365,79 toneladas PDO (medida ponderada pelo potencial de destruição da camada de ozônio) em 2025 para 87,03 toneladas em 2027, uma redução de cerca de 76% em dois anos, com eliminação total prevista para 2040. Escassez programada significa recarga mais cara a cada temporada. Por isso o R-22 não obriga a trocar hoje, mas pesa na decisão quando o aparelho já tem vazamento recorrente. E cuidado com duas informações que circulam muito e são falsas: não é verdade que o R-22 foi proibido em 2022 nem que acaba em 2030.

  • Quanto tempo dura o gás do ar condicionado?+

    O gás não tem prazo de validade e não se gasta com o uso. O circuito é selado, e o fluido circula em ciclo fechado trocando calor sem se consumir. Se o nível caiu, existe vazamento em algum ponto: solda, conexão, porca flare ou serpentina. Aparelho bem instalado e sem furo passa a vida útil inteira com a carga original. Por isso recarga anual não é manutenção, é sintoma. O assunto está detalhado no guia de carga de gás de ar condicionado, aqui no blog.

  • Trocar por um aparelho novo economiza energia de verdade?+

    Economiza, e a régua oficial existe, mas o número que circula não. Procurei nas publicações do Inmetro, do Procel e da EPE o famoso "o inverter economiza 30%" e ele não aparece como dado oficial brasileiro: é teste de fabricante. O que existe é a Portaria Inmetro nº 269/2021, que trocou a forma de medir eficiência para o IDRS, um índice que avalia o aparelho também em carga parcial, e apertou bastante a régua: para split, a classe A saiu de 5,50 para 7,00 nos aparelhos fabricados a partir do fim de 2025. Para comparar de verdade, pegue o consumo em kWh por mês na etiqueta ENCE do seu aparelho e confronte com o de um modelo atual equivalente na tabela do PBE do Inmetro.

  • Qual a garantia de um conserto de ar condicionado?+

    Pelo Código de Defesa do Consumidor, você tem 90 dias para reclamar de vício em serviço e em produto durável, contados do término da execução do serviço (artigo 26, inciso II). Em vício oculto, esse prazo só começa a correr quando o defeito se evidencia (artigo 26, parágrafo 3º). Além disso, o artigo 21 estabelece que, no reparo, é obrigação implícita empregar peças originais e novas, ou que mantenham as especificações do fabricante, salvo autorização em contrário sua. E se o conserto não resolver, vale o artigo 20, que trata de vício de serviço: você escolhe entre a reexecução sem custo adicional, a devolução do valor pago ou o abatimento proporcional do preço. O prazo de 30 dias que muita gente cita é do artigo 18, parágrafo 1º, e se refere ao vício do produto, não ao serviço de conserto. Garantia contratual por escrito é complementar à legal, nunca substituta.

  • O que fazer com o ar condicionado velho?+

    Duas coisas, nas duas pontas. O gás precisa ser recolhido pelo técnico, e não liberado no ar: a Instrução Normativa IBAMA nº 5/2018 proíbe a liberação intencional na atmosfera e obriga o recolhimento com destinação a centros de regeneração ou incineração, o que alcança de forma inequívoca o R-22 e os demais gases que destroem a camada de ozônio. Recolher também os fluidos modernos, como R-410A e R-32, é a prática correta, e o Brasil já promulgou a Emenda de Kigali pelo Decreto 11.666/2023, que os coloca no cronograma internacional de redução. O aparelho entra na logística reversa de eletroeletrônicos da Lei 12.305/2010, regulamentada pelo Decreto 10.240/2020, cujo anexo lista nominalmente aparelho de ar condicionado de janela, portátil e split. Na prática: se é de uso doméstico, o caminho é o ponto de recebimento da rede de fabricantes e varejo; se é de empresa, a destinação é responsabilidade do próprio gerador do resíduo e precisa ser contratada.

  • Qual ar condicionado dá menos problema?+

    Modelo pesa menos do que parece. O que decide é instalação, dimensionamento e limpeza. Aparelho bem dimensionado para o ambiente, instalado com vácuo e solda bem feitos, ligado numa rede elétrica adequada e limpo com regularidade dá pouquíssimo problema, independentemente de quanto custou. Entre os tipos, o split fixo tende a sofrer menos que o portátil e que o de janela, porque a parte que mais esquenta e vibra fica do lado de fora. Desconfie de quem responde essa pergunta com nome de marca antes de perguntar onde o aparelho vai ser instalado.

  • De quanto em quanto tempo fazer manutenção no ar condicionado?+

    O filtro é tarefa sua, a cada 15 ou 30 dias em uso intenso, com água e sabão neutro e secagem à sombra. A higienização técnica, que alcança serpentina, turbina e bandeja, tem intervalo definido pelo uso e pelo ambiente: casa com uso moderado costuma pedir com menos frequência que escritório com uso diário ou ambiente próximo a via movimentada. Em ambiente de uso coletivo, a rotina deixa de ser recomendação e vira obrigação documentada pelo PMOC, o Plano de Manutenção, Operação e Controle exigido pela Lei 13.589/2018.

  • Pode deixar o ar condicionado ligado o tempo todo?+

    Pode. Um split é projetado para operação contínua, e não existe limite de horas seguidas que danifique o aparelho por si só. O que desgasta é o ciclo de liga e desliga em excesso, porque a partida é o momento de maior esforço do compressor. Isso não significa que deixar ligado sem necessidade seja bom negócio: o custo aparece na conta de luz, não no equipamento. Em uso realmente contínuo, o que importa é o equipamento ter sido dimensionado para esse regime.

Se esse texto te ajudou, marque a Watt como fonte preferencial. O Google passa a dar destaque ao que a gente publica nas suas buscas sobre climatização.

Adicione como fonte preferencial no Google

Falar com engenharia

Precisa de PMOC, instalação ou manutenção?

Orçamento em até 48h, sem compromisso. Atendimento direto com o engenheiro responsável.

+1200 empresas já climatizaram com a Watt

Orçamento gratuito em 48h

WhatsApp