Em resumo: a conta base é 600 BTU/h por metro quadrado se o ambiente pega pouco sol e 800 BTU/h por m² se pega sol forte. Em cima disso soma-se 600 BTU/h por pessoa a mais (a primeira já está na conta) e 600 BTU/h por eletrônico que esquenta (TV, computador, geladeira). Na prática isso dá:
- 9.000 BTUs: quarto ou escritório de 11 a 15 m²
- 12.000 BTUs: sala ou suíte de 15 a 20 m²
- 18.000 BTUs: ambiente de 22 a 30 m²
- 24.000 BTUs: ambiente de 30 a 40 m²
- 30.000 BTUs: ambiente de 37 a 50 m²
O menor número da faixa é pra ambiente que pega sol forte, o maior pra ambiente sombreado.
Não confunda as unidades: 1 BTU/h = 0,293 W de capacidade, mas isso não é o consumo. Um split de 12.000 BTUs puxa da tomada em torno de 1.000 a 1.300 W, não 3.517 W. E 1 TR = 12.000 BTU/h.
Duas coisas que a calculadora não te pergunta e mudam o resultado: se o teto é laje ou telhado direto e se o pé-direito passa de 3 metros (aí a conta é por volume, não por metro quadrado). E cuidado com errar pra cima: aparelho grande demais liga e desliga sem parar, deixa o ambiente frio e úmido e desgasta o compressor. Se o local é comercial (loja, academia, sala de reunião, clínica), a regra de bolso não serve: o caminho é cálculo de carga térmica, como orienta a NBR 16401.
Você está na loja ou no site, com dois modelos na frente, e a dúvida é a mesma de todo mundo: 9.000 ou 12.000? A resposta rápida existe e está logo acima. Mas se você quer acertar de primeira, e não descobrir em dezembro que o aparelho não dá conta, vale entender de onde sai esse número.
BTU é a sigla de British Thermal Unit, a unidade que mede a capacidade de refrigeração do aparelho. Quanto mais BTUs, mais calor ele consegue tirar do ambiente por hora. É por isso que o número aparece no nome do produto: 9.000, 12.000, 18.000, 24.000, 30.000.
A conta em 4 passos
A fórmula é esta: (metros quadrados × 600 ou 800) + 600 por pessoa extra + 600 por eletrônico que esquenta. Use 600 se o ambiente pega pouco sol e 800 se pega sol forte. Na prática, com papel e caneta:
- Meça o ambiente. Largura × comprimento = metragem em m².
- Multiplique por 600. Esse é o piso, pra ambiente que pega pouco sol.
- Se bate sol forte boa parte do dia, use 800 em vez de 600.
- Some os extras: 600 BTU/h por pessoa que fica ali além da primeira, e 600 BTU/h por equipamento que esquenta.
Um exemplo real de sala de estar: 4 m × 5 m = 20 m², janela grande virada pro sol da tarde, três pessoas no sofá à noite e uma TV.
- Base: 20 m² × 800 (pega sol) = 16.000
- Pessoas: 2 pessoas a mais × 600 = 1.200
- TV: 600
- Total: 17.800 BTU/h
Não existe aparelho de 17.800. Você arredonda pro tamanho comercial acima, que aqui é o 18.000. Essa é a regra: cai no meio, sobe pro próximo. Um 12.000 nessa sala vai passar o verão inteiro no máximo sem nunca chegar na temperatura.
Tabela: quantos BTUs por metragem
Para ambiente residencial de pé-direito normal (entre 2,60 m e 3,00 m), com uma ou duas pessoas:
| Área do ambiente | Sombra ou sol da manhã | Sol forte à tarde |
|---|---|---|
| Até 10 m² | 7.000 a 9.000 BTUs | 9.000 BTUs |
| 12 m² | 9.000 BTUs | 9.000 a 12.000 BTUs |
| 15 m² | 9.000 a 12.000 BTUs | 12.000 BTUs |
| 20 m² | 12.000 BTUs | 18.000 BTUs |
| 25 m² | 18.000 BTUs | 18.000 a 22.000 BTUs |
| 30 m² | 18.000 a 22.000 BTUs | 24.000 BTUs |
| 40 m² | 24.000 BTUs | 30.000 BTUs ou dois aparelhos |
| 50 m² | 30.000 BTUs | dois aparelhos |
Acima de uns 50 m², ou quando o ambiente é comprido e o ar não alcança o fundo, dois aparelhos menores costumam climatizar melhor que um grande. Aí a escolha já passa a depender do layout, e tabela nenhuma resolve.
Tabela invertida: quantos m² cada aparelho atende
Um ar de 9.000 BTUs atende até 15 m²; um de 12.000, até 20 m²; um de 18.000, até 30 m²; um de 24.000, até 40 m²; e um de 30.000, até 50 m². Esses valores são pra ambiente sombreado: onde bate sol forte, cada aparelho atende cerca de 25% menos área.
| Capacidade | Atende (pouco sol) | Atende (sol forte) |
|---|---|---|
| 9.000 BTUs | até 15 m² | até 11 m² |
| 12.000 BTUs | até 20 m² | até 15 m² |
| 18.000 BTUs | até 30 m² | até 22 m² |
| 22.000 BTUs | até 36 m² | até 27 m² |
| 24.000 BTUs | até 40 m² | até 30 m² |
| 30.000 BTUs | até 50 m² | até 37 m² |
Essas faixas valem pra ambiente com poucas pessoas e pouco equipamento. Cada pessoa e cada eletrônico a mais tira metros quadrados da conta.
O que a calculadora não te pergunta
Seis fatores mudam o resultado da conta e não entram em nenhuma calculadora de fabricante: o tipo de teto, o pé-direito, a quantidade de vidro, porta que vive aberta, cozinha integrada e a ocupação real no pico. É por isso que dois ambientes de 20 m² podem pedir aparelhos diferentes.
- Teto: laje ou telhado direto? Quarto embaixo de telha, sem laje ou forro, recebe calor de cima o dia inteiro. É o fator que mais desmonta a conta de 600 por m², e o mais ignorado. Nessa situação o ambiente pede um degrau acima do que a tabela diz.
- Pé-direito acima de 3 metros. A conta por metro quadrado supõe teto normal, e é daí que sai o 600: ele já embute uma altura de mais ou menos 2,60 m. Se o seu teto é alto, o ar tem mais volume pra resfriar e a conta certa é por volume: multiplique largura × comprimento × altura e use algo entre 230 e 250 BTU/h por m³ em ambiente sombreado e 300 BTU/h por m³ onde bate sol. Loft, sobreloja e salão com mezanino caem aqui, e a conta por metro quadrado subestima todos eles.
- Vidro, e quanto. Uma janela comum é uma coisa; uma parede de vidro inteira é outra. Ambiente com muito vidro exposto ganha calor mesmo com a cortina fechada.
- Porta que vive aberta. Ambiente integrado com a área externa, ou com porta abrindo o tempo todo, perde boa parte do frio que o aparelho produz.
- Cozinha, forno, cooktop. Fogão em ambiente integrado com a sala joga uma carga de calor que nenhuma conta por metragem prevê.
- Quantidade real de gente no pico. Conte quanta gente fica ali ao mesmo tempo no pior cenário, não quanta gente mora na casa. Sala que recebe a família no domingo pede mais que sala de casal.
Uma coisa que aprendi vendo instalação atrás de instalação em São Paulo: quando o cliente reclama que o ar "veio fraco de fábrica", quase nunca é o aparelho. É a conta que foi feita só com a metragem, por WhatsApp, sem ninguém olhar de onde vinha o calor daquele ambiente.
Errar pra cima é tão ruim quanto errar pra baixo
Comprar o aparelho maior "pra garantir" não é margem de segurança: um ar superdimensionado gela rápido, desliga, liga de novo, e nesse liga e desliga curto ele não consegue desumidificar o ambiente, que fica frio e abafado ao mesmo tempo, além de desgastar o compressor. Errar pra baixo e errar pra cima dão dois problemas diferentes, e nenhum é bom:
Aparelho grande demais (superdimensionado) gela o ambiente rápido demais e desliga. Depois liga de novo, e desliga de novo. Esse liga e desliga curto tem dois efeitos ruins. O primeiro é que o ar condicionado também desumidifica, e ele só tira umidade enquanto está rodando: em ciclos curtos, o ambiente fica frio mas continua úmido, aquela sensação de frio abafado. O segundo é o desgaste: cada partida do compressor é o momento de maior esforço da máquina, e multiplicar partidas encurta a vida dele.
Aparelho pequeno demais (subdimensionado) faz o contrário: roda 100% do tempo, não chega na temperatura escolhida e ainda assim consome sem parar. É a causa mais comum de ar condicionado que nunca gela bem sem ter defeito nenhum, e um motivo silencioso de conta de luz alta.
Uma ressalva sobre inverter: nele o compressor modula, acelera e desacelera em vez de ligar e desligar no susto, então ele aguenta bem melhor um superdimensionamento leve. Só que aguentar não quer dizer que dá no mesmo. Todo modelo tem uma capacidade mínima de modulação, e passando muito do necessário ele volta a trabalhar em ciclos. Você paga mais caro por um aparelho maior e gasta mais energia por nada.
BTU e watt não são a mesma coisa
"Um ar de 12.000 BTUs tem quantos watts?" é uma das perguntas mais buscadas do assunto, e a resposta depende de qual watt: existem dois, e eles são bem diferentes entre si.
O watt da capacidade. BTU/h e watt medem a mesma coisa, energia por tempo, em unidades diferentes. A conversão é fixa: 1 BTU/h = 0,293 W. Então:
| Capacidade | Em watts de refrigeração |
|---|---|
| 9.000 BTU/h | 2.637 W |
| 12.000 BTU/h | 3.517 W |
| 18.000 BTU/h | 5.275 W |
| 24.000 BTU/h | 7.034 W |
| 30.000 BTU/h | 8.792 W |
O watt que vem na conta de luz. Esse é outro número, muito menor, e é o que a maioria das pessoas realmente quer saber. Um split de 12.000 BTUs puxa da tomada em torno de 1.000 a 1.300 W, e não os 3.517 W da tabela acima. A diferença existe porque o aparelho move o calor de dentro pra fora em vez de fabricar frio, e transportar calor sai mais barato do que a quantidade de calor transportada. Um 9.000 fica na casa dos 700 a 900 W.
O número exato do modelo que você está olhando está na etiqueta do INMETRO, aquela com as letras de A a G. E tem um detalhe que atrapalha a comparação: existem duas gerações de etiqueta em circulação. A antiga declarava o consumo em kWh por mês sobre uma base de referência de pouquíssimo uso diário, o que sempre soou baixo demais pra quem dorme com o ar ligado. A nova, adotada pelo INMETRO junto com os índices IDRS, calcula o consumo ao longo do ano inteiro considerando o hábito de uso brasileiro, e representa muito melhor os modelos inverter. Confira qual das duas o aparelho traz antes de comparar dois modelos pelo kWh, porque as duas medem de formas diferentes. As duas tabelas ficam públicas no portal de eficiência energética do INMETRO. Quanto isso dá de verdade na sua fatura está em quanto o ar condicionado gasta de energia.
Ainda no vocabulário: em sistema maior você vai ver a capacidade em TR, de tonelada de refrigeração. 1 TR = 12.000 BTU/h. É a unidade usada em chiller e ar central, e é o motivo de o limite legal do PMOC ser descrito às vezes como "5 TR" e às vezes como "60.000 BTU/h": é o mesmo número.
Antes de comprar, confira a tomada
A partir de 18.000 BTUs, a maioria dos modelos é 220V e pede circuito exclusivo, com disjuntor e fiação dimensionados pra ele. Quem instala não está inventando exigência: a ABNT NBR 5410, norma brasileira de instalações elétricas de baixa tensão, é que pede circuito próprio pra carga desse tamanho.
Ligar um 24.000 num circuito compartilhado com o resto da casa é receita para ar condicionado desarmando o disjuntor. Vale conferir a tensão da sua tomada e se existe circuito próprio antes de escolher o modelo, não depois que o aparelho chegou.
Quem vai instalar precisa responder por essa parte também. Se a empresa disser que "liga em qualquer tomada" um aparelho de 24.000, é um dos sinais de alerta listados em como escolher a empresa de instalação.
Quando a regra de bolso não serve
A conta de 600 a 800 BTU/h por m² foi feita pensando em quarto e sala. Em ambiente comercial ela quase sempre fica curta, porque a carga de calor tem outra origem:
| Tipo de espaço | Por que a conta por metragem falha |
|---|---|
| Loja de rua | Porta aberta, vitrine de vidro e movimento de gente. Veja ar condicionado para loja |
| Academia | Muita gente em esforço, esteira e bike jogando calor. Veja ar condicionado para academia |
| Sala de reunião | Ocupação de pico alta e concentrada em pouco espaço |
| Escritório com muitos andares | Pede sistema central, não aparelho avulso. Veja como escolher VRF |
| Clínica e consultório | Somam exigência de qualidade do ar, não só de temperatura |
Nesses casos o caminho profissional é cálculo de carga térmica: somar todo o calor que entra no ambiente (pessoas, equipamento, iluminação, insolação, ventilação) em vez de estimar por área. É a primeira etapa de qualquer projeto de climatização comercial bem feito, e o que define se vão entrar splits, cassetes ou um sistema central. É o que orienta a ABNT NBR 16401, a norma brasileira de instalações de ar condicionado para conforto, e é trabalho de responsável técnico. As normas que regem ar condicionado no Brasil estão reunidas em outro post, se você quiser a lista completa.
Tem ainda um detalhe legal que pega muita empresa de surpresa: quando a soma da capacidade instalada passa de 60.000 BTU/h, o estabelecimento que recebe público precisa de PMOC, o Plano de Manutenção, Operação e Controle, por força da Lei 13.589/2018. Seis splits de 12.000 já passam desse limite. Se o seu caso é esse, vale ler quando o PMOC é obrigatório antes de fechar a compra.
Em São Paulo, sem chute
Se o ambiente é simples, a conta acima resolve e você já pode comprar tranquilo. Se tem telhado sem laje, pé-direito alto, muito vidro ou é ponto comercial, aí a estimativa por metragem vira aposta.
Nesses casos a Watt faz o levantamento no local e dimensiona o sistema antes de recomendar equipamento, tanto em instalação e manutenção de split quanto em climatização comercial de loja, escritório e clínica. Quem mede a carga térmica do seu espaço sou eu, Jeozadaque, líder técnico da Watt, que acompanha esse tipo de projeto no dia a dia aqui em São Paulo.
Com o número de BTUs na mão, o passo seguinte é escolher quem coloca o aparelho na parede, que é onde a maioria dos problemas nasce. Esse assunto tem guia próprio: como escolher a empresa de instalação de ar condicionado.
Vale resolver isso antes do calor apertar: em novembro e dezembro todo mundo quer instalar ao mesmo tempo. Dá pra começar por uma conversa sem compromisso pra entender o ambiente e o uso. Cada projeto é um projeto.