Em resumo: quando o ar liga e sopra, mas não gela, na maioria das vezes é coisa simples que você resolve em casa. Comece por aqui:
- Cheque o controle: modo Refrigerar (floco de neve), não Ventilar nem Desumidificar, em 21-22°C.
- Limpe o filtro da unidade de dentro e desobstrua a unidade de fora (folhas, poeira, sol direto).
- Continuou morno? Aí costuma ser falta de gás por vazamento, capacitor ou compressor, e isso é serviço de técnico.
Um detalhe que separa o profissional do quebra-galho: ar condicionado não consome gás. Se faltou, vazou, e só completar sem achar o vazamento é jogar dinheiro fora.
Liga o ar, ele faz barulho, sopra ar pela frente, mas a sala não esfria? Antes de achar que o aparelho "morreu" ou que é falta de gás na certa, vale ir por partes. Boa parte dos casos de "não gela" é coisa que você mesmo resolve em cinco minutos, sem gastar nada. A outra parte é problema técnico, e aqui dá pra você chegar no técnico já sabendo o que provavelmente está acontecendo, em vez de pagar visita às cegas.
Este guia segue a ordem que um técnico usa no dia a dia: do mais simples e gratuito até o que exige ferramenta e mão de obra.
Primeiro, separe "não gela" de "não liga"
São dois problemas diferentes, e muita gente confunde na hora de buscar ajuda:
- Não gela: o aparelho liga, o painel acende e o ventilador sopra ar, só que o ar sai no clima do ambiente, sem gelar. É deste caso que este guia trata.
- Não liga: o aparelho não dá sinal de vida, display apagado, nada acontece, ou liga e desarma na hora. Aí a investigação é elétrica (disjuntor, pilha do controle, placa) e segue outro caminho. Se é o seu caso, pule direto para chamar quem faz o conserto.
Confirmou que o seu liga e sopra, mas não gela? Então segue comigo.
O teste rápido de 2 minutos (faça antes de qualquer coisa)
Antes de mexer em ferramenta ou ligar pra alguém, passe por estes três pontos. Eles respondem pela maior parte dos chamados que, no fim, nem precisavam de técnico:
- O modo está em Refrigerar? No controle, procure o ícone de floco de neve (Cool / Refrigerar / Frio). Se estiver no ícone de ventilador (Fan / Ventilar), o compressor nem liga: ele só empurra o ar do ambiente, sem gelar. Se estiver na gota d'água (Dry / Desumidificar), ele até resfria, mas com o ventilador girando devagar pra tirar a umidade do ar, e por isso a sensação de frio fica bem menor do que no Refrigerar. Depois de uma queda de luz ou troca de pilha, é comum o modo mudar sozinho.
- A temperatura está baixa o suficiente? Em dia de 35°C, controle marcando 25°C quase não puxa frio. Baixe para 21°C ou 22°C e dê uns minutos. Se a 21°C ele gela bem, era só ajuste.
- O modo Eco ou Sleep está ligado? Esses modos reduzem a potência e deixam a temperatura subir aos poucos pra economizar energia. Ótimo à noite, ruim quando você quer frio de verdade. Desligue e teste no Refrigerar normal.
Resolveu? Ótimo, era configuração. Continua morno? Vamos para as causas físicas, ainda começando pelas que você mesmo cuida.
Mapa rápido: é coisa sua ou de técnico?
Se está com pressa, ache o seu sintoma aqui e já sabe pra onde corre. Cada caso está explicado logo abaixo, na ordem que um técnico checa:
| O que está acontecendo | Causa provável | Quem resolve |
|---|---|---|
| Sopra ar, mas no clima do ambiente | Modo Ventilar/Dry ou temperatura alta | Você, no controle |
| Foi gelando cada vez menos | Filtro e serpentina sujos | Você (filtro) + técnico (higienização) |
| Gela de manhã, piora à tarde | Unidade externa abafada ou no sol | Você (desobstruir) + técnico (lavagem) |
| Parou aos poucos, gelo na tubulação | Vazamento de gás | Técnico |
| Virou bloco de gelo e pinga água | Sujeira, falta de gás ou dreno entupido | Você (desligar e limpar filtro) + técnico |
| Ventila, não gela, estalo lá fora | Capacitor ou compressor | Técnico |
| Liga/desliga sozinho, código no display | Placa ou sensor | Técnico |
| Roda no máximo e nunca gela bem | Aparelho subdimensionado (poucos BTU) | Projeto/dimensionamento correto |
Filtro e unidade interna sujos: a causa nº 1 de "gela pouco"
Se o aparelho vinha gelando e foi perdendo força ao longo das semanas, com fluxo de ar cada vez mais fraco, o suspeito número um é a sujeira.
Por dentro da unidade que fica no ambiente (a evaporadora, aquela que sopra o ar frio), o ar passa por um filtro de tela antes de chegar na serpentina, que é o radiador de tubos e aletas que gela o ar. Filtro entupido de poeira e gordura significa pouco ar passando pela serpentina. Sem ar levando o calor do ambiente até ela, a troca de calor despenca: o aparelho trabalha, mas a sala quase não esfria.
O que você faz em casa: desligue no disjuntor, abra a tampa frontal, retire as telas plásticas (os filtros), lave em água corrente com sabão neutro, deixe secar à sombra e recoloque. Em uso intenso, repita a cada 15 a 30 dias. É a manutenção básica e segura, e sozinha já resolve boa parte do "gela pouco".
O que é serviço de técnico: a limpeza profunda da serpentina, da bandeja e do ventilador interno (a higienização) usa produto químico e água perto da parte elétrica. Feita errada, molha a placa e entorta as aletas. Essa vale a cada 6 a 12 meses, e é o que o filtro limpo sozinho não alcança.
A unidade de fora abafada ou no sol
A unidade que fica do lado de fora (a condensadora) tem a tarefa de jogar o calor pra fora. Ela só consegue se o ar passar livre pelas aletas dela. Quando está tapada por folhas, fiapos, poeira, ou instalada num cantinho sem ventilação, dentro de armário, espremida contra a parede ou pegando sol direto o dia todo, o calor não sai. O resultado típico: gela bem de manhã e vai perdendo força conforme o dia esquenta.
O que você faz em casa: tire folhas e obstruções ao redor e garanta um vão livre de respiro na frente e atrás. Se for passar a mangueira de leve por fora das aletas, desligue antes no disjuntor, nunca só pelo controle: ali é água perto de parte elétrica de 220V, e energia viva nesse cenário dá choque ou curto. Use água sem jato forte, que entorta as aletas. E se dá pra sombrear sem fechar a passagem de ar, ajuda.
O que é serviço de técnico: lavagem química das aletas, endireitar aletas amassadas e qualquer mudança de lugar da unidade, porque mexer na posição mexe na tubulação e no gás.
Faltou gás? Então vazou (e por que "só completar" é furada)
Aqui é onde mora boa parte da confusão e dos gastos repetidos. Na real, é o que mais vejo em chamado de "parou de gelar": completaram o gás, funcionou uma semana, e voltou tudo de novo. Então vou ser direto, porque é o ponto em que um serviço bem feito se separa do quebra-galho.
Ar condicionado não consome gás. O sistema é selado, o fluido refrigerante circula em ciclo fechado. Se o aparelho está com pouco gás, é porque vazou em algum ponto: uma solda, uma porca mal vedada, um microfuro por vibração ou corrosão. Não existe "o gás foi acabando com o uso".
O sintoma costuma ser: parou de gelar aos poucos ao longo de meses, sopra ar quase no clima do ambiente, às vezes aparece gelo na tubulação fina de cobre ou uma marca de óleo na conexão lá fora (vazamento de gás costuma deixar mancha oleosa).
Por que completar o gás sem achar o vazamento é tecnicamente errado, e não só "mais ou menos certo":
- O problema volta. Recompletar sem reparar é enxugar gelo com a torneira aberta: em semanas ou meses falta de novo, e você paga de novo.
- O gás dos aparelhos novos não se "completa por cima". O R-410A, comum nos splits, é uma mistura de dois gases. Quando vaza, pode vazar em proporções diferentes, e o que sobrou já não tem a composição certa. O procedimento correto é recolher o que restou, fazer vácuo no sistema e recarregar a carga cheia por peso, na balança. "Dar uma completada" desbalanceia a mistura e a eficiência.
- Rodar com pouca carga castiga o compressor. O óleo que lubrifica o compressor circula junto com o gás. Carga baixa significa compressor mal lubrificado e mal refrigerado, encurtando a vida da peça mais cara do aparelho.
- Soltar gás no ar é crime ambiental. Liberar fluido refrigerante na atmosfera é proibido pela Lei de Crimes Ambientais (Lei 9.605/1998) e pela regra do IBAMA. Por isso o gás recolhido tem que ir pra um cilindro, nunca pro ar. Empresa séria recolhe.
O que você faz em casa: só o diagnóstico visual. Olhar se tem gelo na tubulação, procurar mancha de óleo nas conexões, perceber que "foi parando de gelar com o tempo". Carregar gás não é tarefa de casa: o fluido sai a altíssima pressão e a temperaturas que congelam a pele na hora, e o manuseio é serviço de profissional.
Aparelho novo que nunca gelou direito
Caso diferente: o ar é recém-instalado e, desde o primeiro dia, nunca gelou de verdade. Aqui o suspeito raramente é o aparelho, e sim a instalação. Quando a tubulação entre as duas unidades é longa ou foi feita às pressas, dois detalhes técnicos fazem diferença e costumam ser pulados na correria: o vácuo e a carga de gás.
Antes de liberar o gás, o instalador precisa puxar vácuo na tubulação com uma bomba, pra tirar todo o ar e a umidade de dentro do sistema. Pular ou encurtar essa etapa deixa ar e água misturados no circuito, o que derruba a eficiência e, com o tempo, corrói por dentro. Some a isso uma tubulação mais longa que o padrão de fábrica, que pede complemento de carga de gás calculado pelo comprimento, e você tem um aparelho zero que "gela fraco" sem nunca ter dado defeito.
O que você faz em casa: nada além de desconfiar. Se o aparelho é novo e nunca gelou bem, cobre o instalador, porque ainda pode estar na garantia do serviço.
O que é serviço de técnico: refazer o vácuo corretamente e acertar a carga pelo comprimento real da tubulação. É um dos pontos em que instalação barata sai cara.
Virou um bloco de gelo (e agora pinga água)
Parece contraditório, mas serpentina congelada é uma das causas de "não gela". Quando se forma geada ou bloco de gelo na serpentina ou na tubulação fina, o ar para de passar e o aparelho gela cada vez pior. Quando o gelo derrete, toda aquela água tem que sair pelo dreno; se o dreno está entupido, ela transborda e pinga pra dentro da sala.
A serpentina congela por três motivos clássicos, e dois deles você já conhece: filtro/serpentina sujos (pouco ar), falta de gás (vazamento) ou ventilador interno fraco. Congelamento quase sempre é sintoma de um dos problemas acima.
O que você faz em casa: desligue o aparelho e deixe o gelo derreter naturalmente. Nunca raspe o gelo com faca ou chave de fenda: fura a serpentina e transforma um problema simples num vazamento. Depois, limpe o filtro. Se foi sujeira, resolve.
O que é serviço de técnico: desentupir o dreno e, principalmente, descobrir por que congelou. Insistir em ligar com a serpentina congelada faz o compressor "engolir líquido", o chamado golpe de líquido, que pode quebrar o compressor.
Liga, ventila, mas não gela: pode ser o capacitor
Esse é o caso que quase nenhum guia explica direito, e na prática é dos mais comuns que aparecem pra gente: o aparelho liga, o ventilador da parte de dentro sopra, mas o ar não gela, e lá fora a unidade externa dá um estalo ou um zumbido e o compressor não parte (ou parte e cai logo).
O suspeito aqui é o capacitor, uma peça parecida com uma pilha grande que dá o torque de partida pro motor do compressor arrancar. Quando ele envelhece ou sofre com picos de energia, perde força, e o compressor não consegue partir. Sem o compressor rodando, não tem frio, por mais que o aparelho pareça ligado.
O que você faz em casa: nada além de reconhecer o sintoma (ventila mas não gela, com barulho de tentativa de partida lá fora) e chamar o técnico. O capacitor guarda carga elétrica mesmo com o aparelho desligado da tomada e pode dar choque sério em quem abre a unidade sem descarregar a peça do jeito certo. É peça barata, mas o serviço é elétrico e perigoso.
Compressor, placa, sensor e o "display piscando"
Se o capacitor está bom e o compressor mesmo assim não roda, ou a unidade externa desarma a proteção toda hora, o problema pode ser o próprio compressor, o "coração" e a peça mais cara do aparelho. Em equipamento antigo ou de linha barata, compressor queimado muitas vezes significa que trocar o aparelho compensa mais do que consertar, e um técnico honesto fala isso na sua cara.
Quando o comportamento é "maluco" (liga e desliga sozinho, não aceita comando, gela de forma intermitente, ou mostra código de erro no display), os suspeitos são a placa eletrônica ou um sensor de temperatura descalibrado, que faz o aparelho "achar" que já gelou e cortar o frio cedo demais. Isso é comum em aparelhos inverter, que têm placa mais sofisticada.
Dica que adianta o conserto: se aparecer luz piscando ou um código no display, fotografe. Cada fabricante tem sua tabela de erros, e essa foto economiza tempo do técnico e dinheiro seu.
Às vezes não é defeito: o aparelho é pequeno demais
Tem um caso em que está tudo certo, limpo, com gás na medida, e mesmo assim "não gela direito": o aparelho simplesmente não tem BTU suficiente pro ambiente. BTU é a medida de potência de um ar condicionado: quanto mais BTU, mais calor ele dá conta de tirar da sala. Quando falta, ele roda o tempo todo no máximo, a conta de luz sobe, e a sala fica amena, nunca fria.
A regra de bolso de mercado é mais ou menos 600 BTU/h por metro quadrado, com uma ou duas pessoas e pouco sol, somando mais carga por pessoa extra, sol da tarde, telhado sem laje, cozinha e muitos eletrônicos. Uma sala de 20m² ensolarada, com quatro pessoas e TV, pode pedir 18.000 BTU, não 9.000. Um 9.000 ali nunca vai gelar bem, e não é defeito, é conta errada na hora da compra.
Vale também o básico: porta e janela abertas, ou um vidrão pegando sol da tarde sem cortina, deixam o calor entrar mais rápido do que o aparelho consegue tirar. Fechar o ambiente e sombrear o sol da tarde resolve muito caso de "gela pouco" sem custo nenhum.
E se eu tiver um LG, Samsung, Midea, Elgin...?
A marca muda o nome dos botões e a tabela de código de erro, mas o problema e a solução são os mesmos. "Não gela, só ventila" num LG, num Samsung, num Midea ou num Consul cai exatamente na mesma investigação: modo, temperatura, filtro, unidade externa, gás, capacitor. Não existe "defeito de marca" aqui, e por isso não vale procurar uma solução específica por marca: o caminho de diagnóstico é único. O mesmo vale pra ar de janela e portátil: muda o formato do aparelho, mas a lógica de "liga e não gela" segue sendo modo, limpeza e parte de gás ou elétrica.
Quanto custa consertar um ar que não gela?
Pra você não se assustar nem ser passado pra trás, vale uma referência de mercado. Pesquisas de preço pelo Brasil em 2025 e 2026 mostram faixas como: recarga de gás em torno de R$ 150 a R$ 450 dependendo do tamanho e do tipo de gás, troca de capacitor entre R$ 250 e R$ 600 com peça e mão de obra, higienização de um split de R$ 200 a R$ 500, e visita técnica de diagnóstico geralmente entre R$ 100 e R$ 200, muitas vezes abatida no serviço. São faixas de mercado, não tabela fixa: cada caso é um caso, e o valor certo só sai depois de ver o aparelho, o modelo e o estado dele.
Quando faz sentido chamar a gente
Se você passou pelo teste rápido, limpou o filtro, desobstruiu a unidade de fora e o ar continua sem gelar, o problema provavelmente está no gás, no capacitor ou no compressor, e aí é diagnóstico técnico mesmo. O risco de insistir é claro: rodar o aparelho com vazamento ou com a serpentina congelando é o caminho mais curto pra queimar o compressor, que é a conta mais cara.
Se você está em São Paulo e seu ar parou de gelar, faz sentido agendar um conserto de ar condicionado com quem abre o equipamento, mede a pressão, acha o vazamento de verdade e recarrega do jeito certo. A Watt faz visita técnica gratuita e manda o orçamento em até 48h, pra casa, escritório, clínica ou comércio. E se a ideia é não passar mais por isso, principalmente com o verão chegando, vale conversar sobre um plano de manutenção preventiva: filtro, gás e limpeza em dia é o que pega o vazamento antes de ele queimar o compressor e faz o aparelho gelar bem a estação inteira.