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Carga de gás do ar condicionado: quanto custa e quando você realmente precisa

Ar condicionado não consome gás: se perdeu força, vazou. Veja quanto custa cada etapa da recarga, os tipos de gás e como saber se o técnico está testando o sistema ou só empurrando uma completada.

Jeozadaque Roberto

Jeozadaque Roberto

Líder Técnico

Em resumo: recarga de gás num split residencial comum fica entre R$ 150 e R$ 450, variando com o tipo de gás e o tamanho do aparelho, e é normal esse valor vir separado do reparo do vazamento (R$ 100 a R$ 350) que causou a perda. E aqui está o ponto que decide se você está sendo bem atendido ou levado: ar condicionado não consome gás. O sistema é fechado. Se o seu perdeu força, alguém precisa achar por onde vazou antes de recarregar, porque só "completar" sem procurar o furo funciona por algumas semanas e o problema volta, e você paga de novo. Desconfie de quem oferece a completada sem antes testar o sistema.

Você está numa de duas situações. Ou o técnico já esteve na sua casa e falou "é só uma completada de gás", e agora você quer saber se o valor faz sentido antes de fechar. Ou o ar perdeu força, você já suspeita que é gás, e está pesquisando quanto isso custa antes de ligar pra alguém. As duas perguntas têm a mesma resposta, e ela começa com um fato que muda a conversa toda: gás de ar condicionado não é como gasolina de carro, que acaba com o uso. É mais parecido com o freon de uma geladeira: se precisou completar, é porque furou.

Nem toda recarga é golpe: instalação com tubulação mais longa que o padrão, por exemplo, precisa de gás extra desde o primeiro dia, e isso é normal. Mas o preço certo dessa conta sempre tem duas partes, achar o problema e resolver o problema, e quem te vende só a segunda sem falar da primeira está escondendo a metade que mais importa.

Quanto custa a carga de gás do ar condicionado

Uma recarga de gás raramente é um serviço isolado. Ela costuma vir em três partes, e cada uma tem seu próprio preço:

EtapaO que éFaixa de mercado
Visita de diagnósticoTécnico mede pressão e localiza o vazamentoR$ 100 a R$ 200 (costuma ser abatida se você fechar o serviço)
Reparo do vazamentoSolda, troca de conexão ou vedação do ponto que furouR$ 100 a R$ 350
Vácuo + recarga de gásRetirar o ar do sistema e recolocar a carga certa, pesada na balançaR$ 150 a R$ 450

Essas faixas são referência de mercado pelo Brasil em 2025 e 2026 (a mesma base usada no guia de conserto de ar condicionado, que cita pesquisa da Cronoshare de 2026 para o reparo do vazamento). Somando as três etapas, um serviço completo de vazamento com recarga costuma fechar entre R$ 350 e R$ 1.000 num split residencial comum, dependendo do tipo de gás, do tamanho do aparelho e de onde fica o vazamento. Se for só recarregar um sistema que acabou de ser instalado com tubulação mais longa (sem vazamento nenhum), o valor fica na faixa de baixo, porque não tem reparo envolvido.

O que muda o valor pra cima ou pra baixo:

  • Tipo de gás. R-410A e R-32, os mais comuns em split hoje, custam menos que o R-22, que está sendo descontinuado (mais adiante explico por quê).
  • Capacidade do aparelho. Um 18.000 ou 24.000 BTUs leva mais gás que um 9.000, então a recarga custa mais.
  • Onde fica o vazamento. Solda na tubulação exposta é rápida. Vazamento dentro da serpentina ou numa conexão de difícil acesso exige mais tempo de mão de obra.
  • Se precisa trocar peça. Às vezes o furo está numa válvula ou conexão que precisa ser substituída, não só soldada, e a peça entra à parte.

Não existe tabela fixa porque cada caso realmente muda o valor: cada projeto é um projeto, e o número exato só sai depois que alguém mede o seu aparelho.

Um jeito de estimar quanto de gás entra na conta: os fabricantes carregam o aparelho de fábrica pra um comprimento padrão de tubulação (geralmente entre 3 e 8 metros, variando por modelo, como já explicamos no guia de infraestrutura), e a regra usada pelos instaladores pra tubulação mais longa é somar em torno de 15 a 20 gramas de R-410A por metro extra. Como referência de campo (não uma especificação de fabricante), um split de 9.000 a 12.000 BTUs, os tamanhos mais comuns em residência, costuma sair de fábrica com algo entre 500 e 900 gramas de carga, e um 18.000 BTUs passa de 1 kg. O peso total exato varia por fabricante e modelo, então não existe uma tabela única por BTU: a especificação exata vem sempre na etiqueta do aparelho ou no manual, e é por isso que a recarga tem que ser pesada na balança, não estimada de cabeça.

Por que "só completar o gás" não deveria existir

O circuito de gás de um ar condicionado é selado, e é esse fato que sustenta todo o resto deste texto. O fluido refrigerante circula em ciclo fechado entre a unidade de dentro e a de fora, trocando calor, sem se misturar com nada e sem se "gastar". Sem vazamento, essa carga dura a vida útil inteira do aparelho: um split residencial bem instalado costuma passar dos 10 anos sem que ninguém precise tocar no gás.

Então, se o seu está perdendo força aos poucos, ou parou de gelar depois de anos funcionando bem, a causa quase sempre é vazamento: uma solda que cedeu, uma porca mal vedada, um microfuro por vibração ou corrosão na serpentina. Os sinais mais comuns são o ar gelando cada vez menos ao longo de semanas ou meses, gelo na tubulação isolada (a mais grossa, a linha de sucção) do lado de fora, mancha de óleo numa conexão da unidade externa, e a conta de luz subindo porque o aparelho roda mais tempo sem atingir a temperatura. (Pra confirmar caso a caso, o guia de quando o ar não gela tem o passo a passo de diagnóstico completo.)

Completar sem achar o furo resolve o sintoma por algumas semanas ou meses, o vazamento continua ali, e o ar volta a perder força. Você paga de novo, achando que "é coisa que acontece com ar condicionado", quando na verdade é o mesmo problema sendo cobrado mais de uma vez.

Os tipos de gás refrigerante, e por que isso pesa no preço

O ar condicionado usa um de três gases refrigerantes hoje no Brasil: R-22, R-410A ou R-32, e o tipo muda tanto o procedimento quanto o preço da recarga.

R-22 foi o gás padrão em splits por décadas, mas está sendo eliminado do mercado. O Brasil é signatário do Protocolo de Montreal e mantém, sob fiscalização do Ibama, um cronograma de eliminação gradual dos HCFCs (a família de gases da qual o R-22 faz parte), com meta de sair de circulação até 2040. Na prática isso significa que o R-22 fica mais raro e mais caro a cada ano, e aparelhos novos praticamente não usam mais esse gás no Brasil. Se o seu ar tem mais de 10 anos, é candidato a rodar com R-22, e vale perguntar ao técnico se a recarga vai custar mais por causa disso. Não existe uma tabela pública confiável de carga de R-22 por modelo, pelo mesmo motivo do R-410A: a especificação é por fabricante e compressor, não por BTU, e a maioria das tabelas de "carga de gás" que circulam na internet é do sistema automotivo, um equipamento completamente diferente.

R-410A é o gás mais comum nos splits vendidos no Brasil hoje. É uma mistura de dois gases, mas com comportamento próximo de um gás único (baixa variação de temperatura durante a troca de fase), então o risco de desbalancear a mistura num vazamento pequeno é menor do que em misturas mais instáveis. Ainda assim, o procedimento correto depois de qualquer reparo, em qualquer gás, é recolher o que restou, fazer vácuo no sistema inteiro e recarregar a carga cheia do zero, pesada na balança: "completar por cima" nunca é o caminho certo, independente do tipo de gás.

R-32 é mais recente, um pouco mais eficiente e cada vez mais presente em modelos novos. Ao contrário do R-410A, é um gás único (não uma mistura), o que simplifica a recarga. Ele também é levemente inflamável (classificação técnica A2L), o que não muda nada pro morador no dia a dia, mas explica por que a instalação e a recarga de aparelhos com R-32 seguem alguns cuidados extras de manuseio que o técnico precisa conhecer.

Como referência de campo, no atacado um cilindro de 11,3 kg de R-410A costuma girar em torno de R$ 300 a R$ 400 em distribuidoras especializadas, algo entre R$ 27 e R$ 35 o quilo. Isso não é o que você paga: quem compra o cilindro inteiro é o prestador, não você, e o valor final da recarga (R$ 150 a R$ 450, tabela acima) é a fração de gás realmente usada mais o trabalho de diagnosticar, fazer vácuo e recarregar pesando na balança, que é a maior parte do custo.

Como saber se o preço que te passaram é justo

É o padrão mais comum que vejo em chamado de "perdeu o gelo": recarga feita sem procurar o vazamento, funciona algumas semanas, some de novo. Cinco perguntas separam um orçamento sério desse tipo de quebra-galho:

  1. O técnico testou o sistema antes de falar em recarga? Achar o vazamento exige teste de pressão (com nitrogênio) ou detector eletrônico. Quem já chega falando "vou completar" sem testar nada está chutando, ou empurrando o serviço mais rápido e mais caro no fim das contas.
  2. A recarga é pesada na balança, ou "no olho"? A carga certa de gás é medida por peso, em gramas, de acordo com a especificação do fabricante. "Colocar até sentir que gelou" é sinal de serviço malfeito, porque carga errada (pra mais ou pra menos) desgasta o compressor.
  3. Existe vácuo antes da recarga? Antes de recolocar o gás, o sistema precisa ficar sem ar nem umidade dentro, puxado por bomba de vácuo. Pular essa etapa reduz a eficiência e corrói o sistema por dentro com o tempo.
  4. O orçamento separa diagnóstico, reparo e recarga? Um orçamento sério mostra as três partes e explica cada uma. Um valor único e vago ("R$ 300 tudo incluso") sem dizer o que inclui é onde a surpresa mora.
  5. Existe nota ou relatório do serviço? Empresa séria registra o tipo de gás usado, a quantidade em gramas e o que foi encontrado no diagnóstico. Isso também importa pela lei: soltar refrigerante no ar em vez de recolher em cilindro configura infração ambiental pela Lei 9.605/1998, então quem recolhe certo tem processo pra mostrar.

Se a resposta for "não" pra mais de uma dessas, vale pedir um orçamento itemizado e por escrito de comparação antes de fechar.

Quando a recarga é justificada (e quando não é)

Justificada:

  • Reparo de um vazamento identificado e consertado. Depois de soldar o furo, a recarga completa é etapa obrigatória do serviço, não um extra.
  • Instalação nova com tubulação mais longa que o padrão de fábrica. Quanto mais comprido o percurso entre as duas unidades, mais gás o sistema precisa pra funcionar direito, e isso é calculado e cobrado desde a instalação, sem relação com vazamento.
  • Aparelho muito antigo, perto do fim de vida, com perda lenta demais pra valer a pena localizar um furo microscópico. Aqui o técnico deveria te dizer isso de forma explícita, comparando o custo do reparo com o de trocar o aparelho.

Não justificada:

  • "Recarga preventiva" oferecida como parte de uma limpeza ou manutenção de rotina, sem sinal nenhum de perda de gás. Ar condicionado que gela bem não precisa de gás, ponto. Limpeza e manutenção cuidam de filtro, serpentina e parte elétrica, não de recarregar um sistema que está cheio.
  • Recarga anual "por precaução", como se fosse revisão de carro. Se o seu técnico sugere completar o gás todo verão, isso é sinal de vazamento nunca resolvido, não de manutenção normal.
  • Qualquer recarga sem antes testar o sistema. Sem teste, ninguém sabe se há vazamento, então ninguém sabe se a recarga vai durar.

Em São Paulo

Se o seu ar perdeu força e você suspeita de gás, o caminho é o conserto de ar condicionado: a equipe testa o sistema, acha o vazamento de verdade, repara e recarrega do jeito certo, com orçamento itemizado e por escrito em até 48h. E se a ideia é não passar por isso de novo, um plano de manutenção preventiva mantém filtro, parte elétrica e a checagem de gás em dia, pegando um vazamento pequeno antes de ele virar um compressor queimado.

Se você está em São Paulo, fala com a gente sem compromisso.

Perguntas Frequentes
  • Quanto custa uma carga de gás no ar condicionado?+

    Depende de quantas etapas o serviço envolve. A visita de diagnóstico fica entre R$ 100 e R$ 200 (geralmente abatida se você fecha o serviço), o reparo do vazamento entre R$ 100 e R$ 350, e o vácuo mais a recarga em si entre R$ 150 e R$ 450. Um serviço completo, com vazamento identificado e reparado, costuma fechar entre R$ 350 e R$ 1.000 num split residencial comum, variando com o tipo de gás e o tamanho do aparelho. Cada projeto é um projeto: o valor exato só sai depois que alguém mede o seu aparelho.

  • Quais são os sinais de falta de gás no ar condicionado?+

    O ar gelando cada vez menos ao longo de semanas ou meses, gelo ou geada na tubulação isolada (a linha mais grossa) do lado de fora, uma mancha de óleo numa conexão da unidade externa, e a conta de luz subindo porque o aparelho roda mais tempo tentando atingir a temperatura. Se o seu ar parou de gelar de vez, o guia de quando o ar não gela tem o passo a passo completo de diagnóstico.

  • Preciso recarregar o gás do meu ar condicionado de tempos em tempos?+

    Não, e essa é a confusão mais cara do setor. O sistema é selado, o gás circula em ciclo fechado e não se gasta com o uso. Um aparelho bem instalado, sem vazamento, roda anos sem que ninguém precise tocar no gás. Se o seu precisou de recarga e meses depois voltou a perder força, o vazamento nunca foi consertado de verdade: recarga é reparo pontual, não manutenção de rotina.

  • Quanto de gás vai num ar condicionado de 12.000 BTUs?+

    Não existe um número único válido pra todos os modelos, mas como referência de campo um split de 9.000 a 12.000 BTUs costuma sair de fábrica com algo entre 500 e 900 gramas de carga, e um 18.000 BTUs passa de 1 kg. Quando a instalação exige tubulação mais longa que o padrão de fábrica, a regra usada pelos instaladores é somar em torno de 15 a 20 gramas de R-410A por metro extra. O peso total exato está sempre na etiqueta do aparelho ou no manual do modelo, e é por isso que a recarga tem que ser pesada na balança pelo técnico, não estimada de cabeça.

  • Existe tabela de carga de gás R22 para ar condicionado?+

    Não uma tabela pública confiável: a carga varia por fabricante e modelo do compressor, não por BTU, e a maioria das tabelas de "carga de gás" que aparecem numa busca é do sistema automotivo, um equipamento completamente diferente do ar condicionado residencial. Além disso, o R-22 está sendo eliminado do mercado brasileiro por um cronograma do Protocolo de Montreal fiscalizado pelo Ibama, então aparelhos novos praticamente não usam mais esse gás. Se o seu ar ainda roda com R-22, o caminho seguro é o técnico ler a especificação na placa do compressor, não seguir uma tabela genérica.

  • Qual o valor de 1 kg de gás para ar condicionado?+

    Isso é referência de atacado, não algo que o consumidor final compra direto: um cilindro de 11,3 kg de R-410A gira em torno de R$ 300 a R$ 400 em distribuidoras especializadas, o que dá algo entre R$ 27 e R$ 35 por kg. Só que isso não é o que você paga: o valor final da recarga (R$ 150 a R$ 450) inclui a fração de gás usada mais o trabalho de diagnosticar, fazer vácuo e recarregar pesando na balança, que é a maior parte do custo.

  • Quanto tempo dura o gás do ar condicionado residencial?+

    Sem vazamento, dura a vida útil inteira do aparelho: um split residencial bem instalado costuma passar dos 10 anos sem que ninguém precise tocar no gás. Na prática, o gás "dura" até o dia em que alguma solda, conexão ou ponto de vibração cede e abre um vazamento, o que pode acontecer aos 2 anos ou aos 15. Não é desgaste natural por tempo de uso: é sempre falha física em algum ponto do circuito.

  • Como saber se a empresa está me cobrando gás sem necessidade?+

    Pergunte se ela testou o sistema antes de falar em recarga (teste de pressão com nitrogênio ou detector eletrônico), se a carga será pesada na balança e não "no olho", se existe vácuo antes de recarregar, se o orçamento separa diagnóstico, reparo e recarga em vez de um valor único vago, e se você recebe um relatório com o tipo e a quantidade de gás usados. Empresa que já chega oferecendo "uma completada" sem testar nada, ou que sugere isso como parte de uma limpeza de rotina sem sinal de perda de gás, é sinal de alerta.

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