Em resumo: recarga de gás num split residencial comum fica entre R$ 150 e R$ 450, variando com o tipo de gás e o tamanho do aparelho, e é normal esse valor vir separado do reparo do vazamento (R$ 100 a R$ 350) que causou a perda. E aqui está o ponto que decide se você está sendo bem atendido ou levado: ar condicionado não consome gás. O sistema é fechado. Se o seu perdeu força, alguém precisa achar por onde vazou antes de recarregar, porque só "completar" sem procurar o furo funciona por algumas semanas e o problema volta, e você paga de novo. Desconfie de quem oferece a completada sem antes testar o sistema.
Você está numa de duas situações. Ou o técnico já esteve na sua casa e falou "é só uma completada de gás", e agora você quer saber se o valor faz sentido antes de fechar. Ou o ar perdeu força, você já suspeita que é gás, e está pesquisando quanto isso custa antes de ligar pra alguém. As duas perguntas têm a mesma resposta, e ela começa com um fato que muda a conversa toda: gás de ar condicionado não é como gasolina de carro, que acaba com o uso. É mais parecido com o freon de uma geladeira: se precisou completar, é porque furou.
Nem toda recarga é golpe: instalação com tubulação mais longa que o padrão, por exemplo, precisa de gás extra desde o primeiro dia, e isso é normal. Mas o preço certo dessa conta sempre tem duas partes, achar o problema e resolver o problema, e quem te vende só a segunda sem falar da primeira está escondendo a metade que mais importa.
Quanto custa a carga de gás do ar condicionado
Uma recarga de gás raramente é um serviço isolado. Ela costuma vir em três partes, e cada uma tem seu próprio preço:
| Etapa | O que é | Faixa de mercado |
|---|---|---|
| Visita de diagnóstico | Técnico mede pressão e localiza o vazamento | R$ 100 a R$ 200 (costuma ser abatida se você fechar o serviço) |
| Reparo do vazamento | Solda, troca de conexão ou vedação do ponto que furou | R$ 100 a R$ 350 |
| Vácuo + recarga de gás | Retirar o ar do sistema e recolocar a carga certa, pesada na balança | R$ 150 a R$ 450 |
Essas faixas são referência de mercado pelo Brasil em 2025 e 2026 (a mesma base usada no guia de conserto de ar condicionado, que cita pesquisa da Cronoshare de 2026 para o reparo do vazamento). Somando as três etapas, um serviço completo de vazamento com recarga costuma fechar entre R$ 350 e R$ 1.000 num split residencial comum, dependendo do tipo de gás, do tamanho do aparelho e de onde fica o vazamento. Se for só recarregar um sistema que acabou de ser instalado com tubulação mais longa (sem vazamento nenhum), o valor fica na faixa de baixo, porque não tem reparo envolvido.
O que muda o valor pra cima ou pra baixo:
- Tipo de gás. R-410A e R-32, os mais comuns em split hoje, custam menos que o R-22, que está sendo descontinuado (mais adiante explico por quê).
- Capacidade do aparelho. Um 18.000 ou 24.000 BTUs leva mais gás que um 9.000, então a recarga custa mais.
- Onde fica o vazamento. Solda na tubulação exposta é rápida. Vazamento dentro da serpentina ou numa conexão de difícil acesso exige mais tempo de mão de obra.
- Se precisa trocar peça. Às vezes o furo está numa válvula ou conexão que precisa ser substituída, não só soldada, e a peça entra à parte.
Não existe tabela fixa porque cada caso realmente muda o valor: cada projeto é um projeto, e o número exato só sai depois que alguém mede o seu aparelho.
Um jeito de estimar quanto de gás entra na conta: os fabricantes carregam o aparelho de fábrica pra um comprimento padrão de tubulação (geralmente entre 3 e 8 metros, variando por modelo, como já explicamos no guia de infraestrutura), e a regra usada pelos instaladores pra tubulação mais longa é somar em torno de 15 a 20 gramas de R-410A por metro extra. Como referência de campo (não uma especificação de fabricante), um split de 9.000 a 12.000 BTUs, os tamanhos mais comuns em residência, costuma sair de fábrica com algo entre 500 e 900 gramas de carga, e um 18.000 BTUs passa de 1 kg. O peso total exato varia por fabricante e modelo, então não existe uma tabela única por BTU: a especificação exata vem sempre na etiqueta do aparelho ou no manual, e é por isso que a recarga tem que ser pesada na balança, não estimada de cabeça.
Por que "só completar o gás" não deveria existir
O circuito de gás de um ar condicionado é selado, e é esse fato que sustenta todo o resto deste texto. O fluido refrigerante circula em ciclo fechado entre a unidade de dentro e a de fora, trocando calor, sem se misturar com nada e sem se "gastar". Sem vazamento, essa carga dura a vida útil inteira do aparelho: um split residencial bem instalado costuma passar dos 10 anos sem que ninguém precise tocar no gás.
Então, se o seu está perdendo força aos poucos, ou parou de gelar depois de anos funcionando bem, a causa quase sempre é vazamento: uma solda que cedeu, uma porca mal vedada, um microfuro por vibração ou corrosão na serpentina. Os sinais mais comuns são o ar gelando cada vez menos ao longo de semanas ou meses, gelo na tubulação isolada (a mais grossa, a linha de sucção) do lado de fora, mancha de óleo numa conexão da unidade externa, e a conta de luz subindo porque o aparelho roda mais tempo sem atingir a temperatura. (Pra confirmar caso a caso, o guia de quando o ar não gela tem o passo a passo de diagnóstico completo.)
Completar sem achar o furo resolve o sintoma por algumas semanas ou meses, o vazamento continua ali, e o ar volta a perder força. Você paga de novo, achando que "é coisa que acontece com ar condicionado", quando na verdade é o mesmo problema sendo cobrado mais de uma vez.
Os tipos de gás refrigerante, e por que isso pesa no preço
O ar condicionado usa um de três gases refrigerantes hoje no Brasil: R-22, R-410A ou R-32, e o tipo muda tanto o procedimento quanto o preço da recarga.
R-22 foi o gás padrão em splits por décadas, mas está sendo eliminado do mercado. O Brasil é signatário do Protocolo de Montreal e mantém, sob fiscalização do Ibama, um cronograma de eliminação gradual dos HCFCs (a família de gases da qual o R-22 faz parte), com meta de sair de circulação até 2040. Na prática isso significa que o R-22 fica mais raro e mais caro a cada ano, e aparelhos novos praticamente não usam mais esse gás no Brasil. Se o seu ar tem mais de 10 anos, é candidato a rodar com R-22, e vale perguntar ao técnico se a recarga vai custar mais por causa disso. Não existe uma tabela pública confiável de carga de R-22 por modelo, pelo mesmo motivo do R-410A: a especificação é por fabricante e compressor, não por BTU, e a maioria das tabelas de "carga de gás" que circulam na internet é do sistema automotivo, um equipamento completamente diferente.
R-410A é o gás mais comum nos splits vendidos no Brasil hoje. É uma mistura de dois gases, mas com comportamento próximo de um gás único (baixa variação de temperatura durante a troca de fase), então o risco de desbalancear a mistura num vazamento pequeno é menor do que em misturas mais instáveis. Ainda assim, o procedimento correto depois de qualquer reparo, em qualquer gás, é recolher o que restou, fazer vácuo no sistema inteiro e recarregar a carga cheia do zero, pesada na balança: "completar por cima" nunca é o caminho certo, independente do tipo de gás.
R-32 é mais recente, um pouco mais eficiente e cada vez mais presente em modelos novos. Ao contrário do R-410A, é um gás único (não uma mistura), o que simplifica a recarga. Ele também é levemente inflamável (classificação técnica A2L), o que não muda nada pro morador no dia a dia, mas explica por que a instalação e a recarga de aparelhos com R-32 seguem alguns cuidados extras de manuseio que o técnico precisa conhecer.
Como referência de campo, no atacado um cilindro de 11,3 kg de R-410A costuma girar em torno de R$ 300 a R$ 400 em distribuidoras especializadas, algo entre R$ 27 e R$ 35 o quilo. Isso não é o que você paga: quem compra o cilindro inteiro é o prestador, não você, e o valor final da recarga (R$ 150 a R$ 450, tabela acima) é a fração de gás realmente usada mais o trabalho de diagnosticar, fazer vácuo e recarregar pesando na balança, que é a maior parte do custo.
Como saber se o preço que te passaram é justo
É o padrão mais comum que vejo em chamado de "perdeu o gelo": recarga feita sem procurar o vazamento, funciona algumas semanas, some de novo. Cinco perguntas separam um orçamento sério desse tipo de quebra-galho:
- O técnico testou o sistema antes de falar em recarga? Achar o vazamento exige teste de pressão (com nitrogênio) ou detector eletrônico. Quem já chega falando "vou completar" sem testar nada está chutando, ou empurrando o serviço mais rápido e mais caro no fim das contas.
- A recarga é pesada na balança, ou "no olho"? A carga certa de gás é medida por peso, em gramas, de acordo com a especificação do fabricante. "Colocar até sentir que gelou" é sinal de serviço malfeito, porque carga errada (pra mais ou pra menos) desgasta o compressor.
- Existe vácuo antes da recarga? Antes de recolocar o gás, o sistema precisa ficar sem ar nem umidade dentro, puxado por bomba de vácuo. Pular essa etapa reduz a eficiência e corrói o sistema por dentro com o tempo.
- O orçamento separa diagnóstico, reparo e recarga? Um orçamento sério mostra as três partes e explica cada uma. Um valor único e vago ("R$ 300 tudo incluso") sem dizer o que inclui é onde a surpresa mora.
- Existe nota ou relatório do serviço? Empresa séria registra o tipo de gás usado, a quantidade em gramas e o que foi encontrado no diagnóstico. Isso também importa pela lei: soltar refrigerante no ar em vez de recolher em cilindro configura infração ambiental pela Lei 9.605/1998, então quem recolhe certo tem processo pra mostrar.
Se a resposta for "não" pra mais de uma dessas, vale pedir um orçamento itemizado e por escrito de comparação antes de fechar.
Quando a recarga é justificada (e quando não é)
Justificada:
- Reparo de um vazamento identificado e consertado. Depois de soldar o furo, a recarga completa é etapa obrigatória do serviço, não um extra.
- Instalação nova com tubulação mais longa que o padrão de fábrica. Quanto mais comprido o percurso entre as duas unidades, mais gás o sistema precisa pra funcionar direito, e isso é calculado e cobrado desde a instalação, sem relação com vazamento.
- Aparelho muito antigo, perto do fim de vida, com perda lenta demais pra valer a pena localizar um furo microscópico. Aqui o técnico deveria te dizer isso de forma explícita, comparando o custo do reparo com o de trocar o aparelho.
Não justificada:
- "Recarga preventiva" oferecida como parte de uma limpeza ou manutenção de rotina, sem sinal nenhum de perda de gás. Ar condicionado que gela bem não precisa de gás, ponto. Limpeza e manutenção cuidam de filtro, serpentina e parte elétrica, não de recarregar um sistema que está cheio.
- Recarga anual "por precaução", como se fosse revisão de carro. Se o seu técnico sugere completar o gás todo verão, isso é sinal de vazamento nunca resolvido, não de manutenção normal.
- Qualquer recarga sem antes testar o sistema. Sem teste, ninguém sabe se há vazamento, então ninguém sabe se a recarga vai durar.
Em São Paulo
Se o seu ar perdeu força e você suspeita de gás, o caminho é o conserto de ar condicionado: a equipe testa o sistema, acha o vazamento de verdade, repara e recarrega do jeito certo, com orçamento itemizado e por escrito em até 48h. E se a ideia é não passar por isso de novo, um plano de manutenção preventiva mantém filtro, parte elétrica e a checagem de gás em dia, pegando um vazamento pequeno antes de ele virar um compressor queimado.
Se você está em São Paulo, fala com a gente sem compromisso.