Em resumo: infraestrutura de ar condicionado, também chamada de pré-instalação, é deixar prontos antes de fechar a parede os três caminhos que o aparelho vai precisar: a tubulação de cobre entre as duas unidades, o dreno da água de condensação e o circuito elétrico dedicado. Fazer isso durante a obra custa uma fração do que custa depois, porque depois significa quebrar parede pronta.
O que precisa estar decidido antes de o pedreiro fechar:
- A capacidade do aparelho em BTUs, porque ela define a bitola do cobre e o disjuntor.
- Onde ficam as duas unidades, a de dentro e a de fora, e o caminho real do cano entre elas.
- Para onde vai a água do dreno, com queda contínua do começo ao fim.
- Circuito elétrico exclusivo, com disjuntor e fiação próprios saindo do quadro.
- Teste de pressão na tubulação antes de fechar, senão um vazamento vira quebra de parede meses depois.
Se for apartamento, comece pela convenção do condomínio: em boa parte dos prédios é ela que decide onde a unidade externa pode ficar, e isso vem antes de qualquer outra escolha.
Não precisa ter comprado o aparelho. Precisa ter decidido o tamanho e o lugar dele.
Você está construindo ou reformando, o pedreiro pergunta se vai ter ar condicionado, e você responde "por enquanto não, depois eu vejo". Essa é a frase que sai mais cara na obra inteira.
Deixar a infraestrutura pronta enquanto a parede está aberta é barato: é cobre, mangueira, cabo e algumas horas de serviço. Fazer depois, com a casa pronta, significa quebrar alvenaria, refazer o acabamento e pintar de novo, ou aceitar a alternativa que ninguém quer, que é o cano aparente descendo pela sala dentro de uma canaleta branca.
Se o pedreiro te perguntar amanhã de manhã e você ainda não decidiu nada, a resposta que salva a obra é curta: diga que sim, vai ter ar condicionado, e peça pra ele não fechar nenhuma parede nem rodar contrapiso até você definir duas coisas, a capacidade do aparelho e onde ficam as duas unidades. Isso te compra os dias que faltam.
E se a obra já começou, ainda dá tempo. Enquanto a alvenaria está subindo ou o elétrico ainda não passou, você está na janela certa. O que aperta o prazo de verdade é o contrapiso e o fechamento das paredes: depois deles, cada mudança vira quebra.
Aqui está o que precisa estar decidido, na ordem, e quem faz cada parte.
O que é infraestrutura de ar condicionado
Infraestrutura, ou pré-instalação, é o conjunto de caminhos que ficam embutidos na alvenaria, no piso ou no forro, esperando o aparelho que vai chegar depois. São três, e cada um resolve um problema diferente:
- Tubulação frigorígena. Dois tubos de cobre isolados que levam o gás refrigerante entre a unidade de dentro (evaporadora) e a de fora (condensadora).
- Dreno. A mangueira que escoa a água que o aparelho condensa. Um split de 12.000 BTUs pode produzir vários litros por dia num dia úmido, e essa água precisa de para onde ir.
- Elétrica. Circuito exclusivo, com disjuntor e fiação dedicados, saindo direto do quadro.
Some a isso a caixa de passagem, um nicho embutido na parede, atrás de onde a evaporadora vai ficar, que centraliza as pontas dos três e permite a conexão no dia da instalação sem quebrar nada. Ela precisa cair dentro da projeção do aparelho escolhido, senão fica aparecendo ao lado dele depois de tudo pronto, e a altura tem que respeitar o afastamento mínimo do teto que o manual pede. É por isso que a caixa é o último item a ser posicionado: depois de definida a capacidade, não antes.
O ponto que costuma não ficar claro: infraestrutura não é instalação. Ninguém vai carregar gás, fazer vácuo nem ligar aparelho nenhum nessa etapa. O que se faz é deixar os caminhos prontos, vedados e testados, para que a instalação, quando vier, seja um serviço de poucas horas.
As 5 decisões antes de fechar a parede
1. A capacidade, mesmo sem ter comprado o aparelho
Esta vem primeiro porque todas as outras dependem dela. A capacidade em BTUs define a bitola (o diâmetro) dos tubos de cobre e também o disjuntor e a espessura do cabo elétrico. Deixar cobre de 12.000 BTUs numa parede onde depois vai um 24.000 significa refazer a infraestrutura inteira, ou seja, quebrar exatamente a parede que você fechou para não quebrar.
Não é preciso ter escolhido a marca nem comprado nada. É preciso saber o tamanho. Se você ainda não fez essa conta, o guia de cálculo de BTU por metro quadrado resolve com uma trena e cinco minutos.
Aqui cabe o conselho mais útil deste texto, e ele vale principalmente pra quem ainda não comprou nada: se o aparelho não está definido, não embuta o cobre, embuta a espera. Em vez de enterrar a tubulação definitiva, deixe um eletroduto (ou tubo de PVC) passando pelo trajeto, com curvas suaves e as duas pontas acessíveis. Depois que o modelo estiver escolhido, o cano correto passa por dentro. Custa pouco e é a única versão dessa decisão que continua reversível.
E cuidado com o atalho que parece prudente: na tubulação, comprar a maior não é garantia. Linha de sucção superdimensionada derruba a velocidade do gás e prejudica o retorno de óleo ao compressor, ainda mais em trecho vertical. Sobredimensionar cobre tem custo técnico real. Já do lado elétrico o raciocínio se inverte: aí sim vale deixar cabo e disjuntor com folga para a maior capacidade prevista, porque trocar cabo depois é obra.
Uma regra que vale em qualquer cenário: nenhuma emenda pode ficar dentro da parede. Junta flangeada ou soldada precisa continuar acessível, porque um dia ela vai precisar ser inspecionada.
2. Onde ficam as duas unidades
Parece óbvio e é onde mais se erra, porque a decisão costuma ser tomada olhando só o ambiente de dentro.
A evaporadora quer uma parede que jogue o ar no comprimento do cômodo, não contra um armário nem direto na cabeceira da cama. A condensadora quer o oposto do que a maioria das pessoas escolhe: ela precisa de ar circulando ao redor, com espaço livre na frente e atrás, e não pode ir para dentro de um nicho fechado, um jardim sem ventilação ou um poço de luz apertado. Condensadora sufocada troca calor mal, gasta mais energia e trabalha o dobro.
Decida também o caminho real do cano entre as duas, que quase nunca é a linha reta. É esse percurso que define quantos metros de cobre a obra vai consumir, e cada metro conta.
3. Para onde vai a água do dreno
Esse é o item que mais volta como problema, e é o mais barato de resolver na obra.
O dreno precisa de queda contínua do início ao fim, e o número que os manuais trabalham é de 1% a 2%, ou seja, de 1 a 2 centímetros de desnível por metro de mangueira. Nada de trecho plano no meio, nada de barriga, nada de subida em nenhum ponto do percurso. Água não sobe, e mangueira ondulada segura água parada, que é onde nasce mau cheiro e entupimento.
A saída também precisa desembocar em lugar legítimo, como rede pluvial ou ralo de área de serviço. Não pode ser a laje do vizinho nem a fachada, e pingar na calçada rende reclamação antes do primeiro verão.
Quando a posição do aparelho não permite a queda, existe bomba de dreno. Ela resolve, mas você passa a ter um equipamento com motor onde antes havia só uma mangueira em declive, e motor um dia para. Na planta, a queda é de graça: é só decidir por onde a mangueira desce.
4. Circuito elétrico exclusivo
Split de qualquer capacidade pede circuito próprio, saindo do quadro, com disjuntor e fiação dedicados. Isso não é exigência só de aparelho grande, e não é invenção de quem instala: o manual de instalação do split LG Dual Inverter, por exemplo, escreve "sem exceção, instale um circuito de energia independente projetado especificamente para o aparelho". A ABNT NBR 5410, norma de instalações elétricas de baixa tensão, dá o enquadramento no item 4.2.5.5, que manda individualizar os circuitos terminais pela função do equipamento que alimentam.
Na obra isso vira quatro providências. Espaço no quadro para os disjuntores dos aparelhos que virão. Cabo com a bitola certa para a capacidade prevista, e aqui vale deixar folga. Aterramento, que a mesma norma exige ao determinar que todas as massas da instalação estejam ligadas a condutores de proteção. E, a que mais se esquece, cabo dentro de eletroduto, nunca direto no reboco nem dentro de mangueira: a NBR 5410 pede que a linha permita instalar e retirar os condutores com facilidade depois de pronta. Cabo enterrado no reboco condena o circuito, porque nunca mais se troca sem quebrar parede, que é exatamente o que este texto existe pra evitar.
Se a casa prevê três aparelhos e você só vai instalar um agora, deixe os três circuitos prontos. Enquanto a parede está aberta é uma manhã de serviço.
5. Teste de pressão antes de fechar
Este é o que separa infraestrutura bem-feita de bomba-relógio, e é o que menos aparece nos vídeos de obra.
Depois de passar o cobre e antes de o pedreiro fechar, a tubulação tem que ser pressurizada com nitrogênio e testada, provando que não há vazamento no trecho que vai ficar enterrado. Se a linha tiver um furo e a parede fechar por cima, o problema só aparece meses depois, quando o aparelho chegar e não gelar, e aí a única forma de achar o vazamento é quebrar a parede pronta.
Três detalhes que fazem esse teste valer alguma coisa:
- Nitrogênio, nunca ar comprimido. O compressor da obra é o atalho clássico, e é perigoso: ar comprimido carrega umidade e oxigênio para dentro da linha, e os manuais tratam isso como risco de explosão. Oxigênio, jamais.
- Deixe pressurizado por um tempo, idealmente 24 horas, respeitando a pressão máxima de teste que o manual do modelo especifica.
- Anote a temperatura junto da pressão. O nitrogênio varia de pressão com o calor do dia, então um manômetro que caiu um pouco da manhã pra tarde pode não significar vazamento nenhum. Sem a temperatura anotada, a leitura do dia seguinte não prova nada.
As pontas também precisam ficar seladas durante o resto da obra. Cobre aberto num canteiro acumula poeira, resíduo de cimento e umidade, e tudo isso vai parar dentro do sistema no dia da instalação.
Peça o registro, nem que seja uma foto do manômetro com a pressão, a temperatura e a data.
Infraestrutura de ar condicionado em apartamento: o que muda
Em apartamento, três coisas precisam ser resolvidas antes de o primeiro rasgo abrir, e todas as três são capazes de mudar o traçado inteiro:
- Onde a unidade externa pode ficar não é você quem decide. A convenção costuma fixar a posição, na fachada ou em varanda técnica, e às vezes o modelo e a cor. Como a evaporadora fica onde você quer e a condensadora onde o prédio manda, o percurso entre as duas costuma ser bem maior do que parecia na planta.
- Furo em viga ou em parede estrutural pode estar proibido. É o item que trava obra de verdade, porque descobrir isso com o pedreiro de furadeira na mão significa refazer o projeto na hora.
- Reforma em prédio tem procedimento formal. A ABNT NBR 16280, que trata de reforma em edificações, prevê um plano de reforma assinado por responsável técnico e entregue ao síndico antes do início. Muitos condomínios pedem junto a ART, que é a Anotação de Responsabilidade Técnica, o documento em que um profissional registrado no CREA assume formalmente a autoria do serviço.
Ou seja: no apartamento a ordem se inverte. Primeiro você descobre o que o prédio permite, depois desenha o resto.
Quem faz a infraestrutura, o pedreiro ou o técnico?
A resposta honesta é: os dois, em momentos diferentes, e o problema mora exatamente aí.
O rasgo na alvenaria, o embutimento e o fechamento são serviço da obra civil. Já a definição do traçado, a bitola do cobre, a queda do dreno, o dimensionamento elétrico e o teste de pressão são serviço de refrigeração. O que dá errado com frequência é a obra executar os três caminhos sozinha, por conta própria, e o erro só ser descoberto meses depois pelo instalador, com a parede fechada.
O arranjo que funciona é simples: a empresa de climatização define e testa, a obra executa o rasgo e o fechamento. Uma visita antes de passar o cano e outra antes de fechar a parede costumam ser suficientes numa residência, e custam muito menos que uma quebra de parede.
Numa residência, uma passagem antes de o cano correr e outra antes de a parede fechar costumam bastar. Se você quiser essa definição feita junto com quem está executando a sua obra, dá pra combinar uma conversa sem compromisso.
Quando a infraestrutura vira projeto de infraestrutura
A partir de certo porte, isso deixa de ser um traçado e vira projeto: carga térmica por ambiente, definição do sistema, dimensionamento das linhas, cargas elétricas e compatibilização com hidráulica, elétrica e estrutura. Vale para obra comercial com vários ambientes ou sistema central, e vale também para residencial de alto padrão com muitos pontos.
Quem costuma precisar disso é o escritório de arquitetura, o engenheiro ou a construtora, e o problema aqui é de cronograma, não de técnica: o projeto de climatização precisa entrar na prancha junto com as outras disciplinas, não depois que elas fecharam. Quando entra depois, a conta é furo em viga que ninguém previu, shaft sem espaço e condensadora sem lugar aprovado.
É o tipo de trabalho que a gente faz em climatização comercial. Se você especifica obra e quer o traçado e as cargas resolvidos ainda na prancha, a conversa é a mesma.
Quanto custa deixar a infraestrutura pronta
Não existe tabela fechada, porque o custo é quase todo definido pela distância entre as duas unidades e pelo que o imóvel já tem de elétrica. O que dá para dizer com segurança é a ordem de grandeza dos componentes, usando as mesmas faixas de mercado dos adicionais de instalação: a tubulação de cobre custa de R$ 35 a R$ 70 o metro conforme a bitola, e o circuito elétrico dedicado fica entre R$ 250 e R$ 500 por ponto, segundo a tabela publicada pela Lar Pontual em julho de 2026.
A comparação que importa não é essa, porém. É a seguinte: durante a obra, passar um cano é acrescentar um item numa parede que já está aberta. Depois da obra, o mesmo cano exige quebra, retirada de entulho, reboco, massa, lixamento e pintura, e nada disso é serviço de climatização, é obra civil de novo. Por isso a infraestrutura é o único item do projeto de ar condicionado em que adiantar sai mais barato que adiar.
Para a conta da instalação em si, que vem depois, o guia de quanto custa instalar ar condicionado tem a tabela por capacidade e o valor de cada adicional. Cada projeto é um projeto, e o número real sai depois de alguém ver o seu ponto.
O erro que mais vemos em obra
Quase toda infraestrutura que chega até a gente com problema erra numa das três: dreno sem queda, cobre de bitola errada para a capacidade que acabou sendo instalada e caixa de passagem em altura que não bate com o aparelho escolhido.
As três têm a mesma origem, que é a infraestrutura ter sido executada antes de alguém decidir qual aparelho ia entrar ali. A ordem certa é a inversa: decide o aparelho, define o caminho, executa, testa e só então fecha.
Antes de fechar a parede, confira
Se a sua obra está nessa fase, essa é a lista para levar até quem está executando:
- A capacidade em BTUs de cada ambiente está definida.
- A posição das duas unidades está marcada, com a condensadora num lugar que respira.
- O caminho do cano está definido e medido, e a bitola corresponde à capacidade.
- O dreno tem queda contínua até um ponto de escoamento legítimo.
- Existe circuito exclusivo por aparelho, com disjuntor, bitola correta e aterramento.
- A caixa de passagem está na altura e na posição que combinam com o aparelho previsto.
- O cabo elétrico está dentro de eletroduto, não direto no reboco.
- Nenhuma emenda de cobre ficou dentro da parede.
- A tubulação foi pressurizada com nitrogênio e testada, e as pontas estão seladas.
- Se for apartamento, a convenção do condomínio já foi consultada.
- Você tem registro (foto, relatório) do teste e do traçado, para achar tudo depois.
Em São Paulo
Obra em São Paulo com parede ainda aberta é o momento em que essa conversa custa mais barato. A Watt Soluções atende a região definindo o traçado junto com quem está executando e entregando a proposta itemizada por escrito, para que a instalação do split, depois, seja o serviço de poucas horas que ela deveria ser.
Se a parede ainda está aberta, dá tempo: fala com a gente sem compromisso. Depois do contrapiso, a conversa muda de assunto.