Em resumo: antes de fechar com uma empresa de conserto de ar condicionado em São Paulo, cheque cinco coisas:
- CNPJ ativo e nota fiscal (dá pra conferir de graça no site da Receita).
- Diagnóstico explicado antes de qualquer troca de peça.
- Orçamento por escrito, com peça, mão de obra, visita e gás em linhas separadas.
- Garantia no papel, do serviço e da peça. Pela lei, todo conserto tem no mínimo 90 dias de garantia (Código de Defesa do Consumidor, art. 26).
- A reação do técnico ao "não tá gelando": se ele já sai completando gás sem procurar o vazamento, chame outro.
Antes de fechar, vale também consultar o histórico de reclamações da empresa no Procon-SP, de graça.
Este guia é sobre ar residencial e comercial: split, janela, cassete, piso-teto e central. Ar de carro é outra especialidade, de oficina automotiva, e não entra aqui.
O ar parou, tá quente, e a tentação é fechar com a primeira empresa que atender o telefone. É exatamente nessa pressa que mora o prejuízo: conserto que não resolve, preço que dobra no meio do serviço, técnico que some depois do Pix. Este guia é o filtro que você passa em qualquer empresa antes de pagar, em cinco checagens que levam menos de dez minutos. No fim, você ainda leva a faixa real de preço de mercado e as perguntas que separam quem diagnostica de quem chuta.
Primeiro: é conserto mesmo, ou é limpeza?
Limpeza resolve sujeira. Conserto resolve peça, sensor ou parte elétrica que parou de funcionar. A confusão entre os dois é a forma mais comum de pagar pelo serviço errado: tem empresa que vende higienização pra defeito elétrico e empresa que troca peça em aparelho que só estava imundo.
Use o sintoma como bússola. Antes de chamar alguém, vale dois minutos no guia do seu problema, porque uma parte dos casos você resolve sozinho, sem gastar nada:
| O que está acontecendo | Leia antes de chamar | É caso de conserto? |
|---|---|---|
| Não liga, display apagado | Ar condicionado não liga | Sim, se pilha, disjuntor e tomada estiverem ok |
| Liga mas não gela, só ventila | Ar condicionado não gela | Sim, se não for modo errado nem filtro sujo |
| Pingando água pra dentro | Ar pingando água | Às vezes: pode ser só dreno entupido |
| Desarma o disjuntor | Ar desarmando o disjuntor | Sim, e pode envolver a parte elétrica da casa |
| Barulho estranho | Ar fazendo barulho | Depende do som: do parafuso solto ao compressor |
| Cheiro ruim, gela pouco, poeira | Higienização | Não: é limpeza, serviço mais barato |
Se caiu em "é conserto", um desvio importante antes de escolher: aparelho ainda na garantia de fábrica vai pra assistência autorizada da marca, não pra empresa independente. Serviço de terceiro durante a garantia pode custar a cobertura. Fora da garantia, segue o guia: agora é escolher quem vai fazer. E respira: dormir uma noite com o ar parado não piora o defeito. Pior é fechar às 21h, no calor, com quem você não teve tempo de checar.
As 5 checagens antes de fechar com qualquer empresa
1. CNPJ ativo e nota fiscal. Peça o CNPJ e confira em dois minutos na consulta gratuita da Receita Federal: situação cadastral ativa e atividade ligada a refrigeração ou climatização. Empresa que emite nota fiscal te dá o documento que vale na garantia e no Procon. Sem nota, se o conserto falhar em uma semana, sua palavra contra a dela. Técnico autônomo formalizado (MEI) também emite nota, então isso não é exigência de "empresa grande": é o mínimo de qualquer profissional sério.
2. Diagnóstico antes do preço. O fluxo certo é: técnico examina, explica o que encontrou, mostra a peça queimada ou o ponto de vazamento, e só então sai o valor. Se o preço fechado chega por telefone antes de alguém ver o aparelho, e o defeito não é óbvio, o número foi chutado, e chute em orçamento se corrige depois, sempre pra cima.
3. Orçamento por escrito, separado por item. Mão de obra, peça (com nome e modelo), visita técnica e eventual carga de gás em linhas diferentes. É isso que te deixa comparar duas propostas de verdade e questionar item por item. "Pacote fechado" sem detalhamento esconde tanto preço inflado quanto serviço que não vai ser feito.
4. Garantia por escrito, com prazo e cobertura claros. Por lei, você já tem 90 dias de garantia sobre qualquer conserto (o art. 26 do Código de Defesa do Consumidor vale pra serviço durável, e conserto de ar condicionado é serviço durável). O que separa empresa séria não é prometer prazo enorme: é colocar a garantia por escrito na própria proposta, com o prazo e o que ela cobre, só a peça, só a mão de obra, ou o reparo completo. Garantia de boca não existe na hora de cobrar.
5. Reputação recente, não antiga. Avaliações no Google dos últimos meses pesam mais que nota alta de dois anos atrás. Procure padrão nas reclamações: atraso, cobrança surpresa e "problema voltou" são os três que mais se repetem nesse mercado. Complete com uma busca no Procon-SP, que registra reclamação formal contra o CNPJ. Filiação a entidade do setor, como a ABRAVA (a associação brasileira de refrigeração e ar condicionado), é um sinal a mais de compromisso com boas práticas, embora não substitua os outros quatro testes.
O maior sinal de alerta: "é só completar o gás"
Ar condicionado não consome gás. O sistema é selado: se está faltando, é porque vazou, numa solda, numa porca mal vedada, num microfuro. Completar sem achar o vazamento é tratar o sintoma e agendar a próxima falha, porque o gás novo sai pelo mesmo caminho, em semanas ou meses, conforme o tamanho do furo. E tem o lado ambiental que quase ninguém conta: o procedimento correto é recolher o fluido em cilindro, corrigir o vazamento e recarregar por peso na balança. Soltar gás refrigerante no ambiente, dependendo do fluido, pode configurar infração ambiental (Lei 9.605/1998): pros fluidos antigos que agridem a camada de ozônio, como os CFCs, a Resolução CONAMA 340/2003 obriga o recolhimento. Quem faz "completadinha" no quintal está errando duas vezes.

Tem um segundo erro de diagnóstico que o Jeozadaque, líder técnico da Watt, encontra com frequência em campo: condenar o compressor, a peça mais cara do aparelho, quando quem morreu foi o capacitor que dá a partida nele. O sintoma engana, porque nos dois casos o compressor não roda. Só que o capacitor é uma peça de R$ 22 a R$ 42 no varejo, e a troca de um compressor passa de mil reais. Não é má-fé necessariamente: é pressa de quem não mede antes de condenar. Por isso o diagnóstico explicado, com a medição na mão, vale mais que o orçamento mais rápido.

Os sinais de vazamento (gelo na tubulação fina, mancha de óleo na conexão externa, gelar cada vez menos ao longo de meses) estão detalhados no guia do ar que não gela.
As 6 perguntas que filtram a maior parte do risco
Leve pro telefone ou WhatsApp, na ordem:
- A visita técnica é cobrada? Ela é abatida se eu fechar o serviço?
- Vocês já atenderam esse tipo de aparelho? (split, janela, cassete, piso-teto, central)
- Se trocar peça, ela é original ou compatível? Qual a diferença de preço e de garantia?
- Se for gás, vocês procuram o vazamento antes de recarregar, ou só completam?
- O orçamento vem por escrito, com nota fiscal no final?
- A garantia vem por escrito na proposta? Qual o prazo, e cobre peça e mão de obra?
Empresa que responde as seis sem se irritar e sem enrolar já passou por um filtro que a maioria não passa. Se só tiver paciência pra duas, vá de 4 e 6. A 4 é a mais reveladora: quem responde "a gente completa e vê se segura" acabou de te contar como trabalha.
Quanto custa conserto de ar condicionado em 2026
Um conserto de ar condicionado custa entre R$ 150 e R$ 800 como referência nacional de mercado, com a maioria dos casos entre R$ 200 e R$ 600 (Cronoshare, 2026). O tipo de defeito é o que define o número: uma avaria bem pequena pode sair abaixo dessa faixa geral, e peça cara passa dela:
| Tipo de reparo | Faixa de mercado |
|---|---|
| Pequenas avarias (sensor, fusível, filtro) | R$ 50 a R$ 90 |
| Vazamento de gás (localizar, reparar e recarregar) | R$ 100 a R$ 350 |
| Reparo no compressor (serviço, sem a peça) | R$ 250 a R$ 450 |
| Faixa geral de um conserto | R$ 150 a R$ 800 |
Um cuidado na leitura: essas faixas são do serviço. Quando a peça cara entra na conta, a substituição completa de um compressor com peça nova, ou uma placa eletrônica de aparelho inverter, o total costuma passar de R$ 1.000. É a distância entre trocar um capacitor e condenar um compressor, do exemplo lá em cima. São faixas nacionais de referência, não tabela: aparelho, acesso, peça e urgência mexem no número. É justamente por isso que orçamento sério nasce de diagnóstico, não de tabela.
Um detalhe de São Paulo: desconfie tanto do muito caro quanto do muito barato. O anúncio de "conserto por R$ 80", prometendo resolver qualquer defeito por esse valor, geralmente é só a porta de entrada de alguém que vai vender o serviço de verdade depois que já está dentro da sua casa.
Outros sinais de alerta
Além do gás sem diagnóstico, desconfie quando a empresa:
- Exige pagamento integral adiantado, antes de qualquer serviço. Sinal razoável é outra coisa; 100% antecipado pra quem você nunca viu é risco.
- Fecha orçamento por mensagem sem ver o aparelho, com defeito que não é óbvio.
- Não tem endereço, site nem perfil no Google, só um celular solto em anúncio.
- Condena a peça mais cara logo de cara ("é o compressor", "é a placa") sem mostrar medição nem teste.
- Some quando você pergunta de nota fiscal ou garantia.
Nenhum desses sozinho é sentença. Dois ou três juntos formam o padrão de quem não estará lá quando o problema voltar.
E se for empresa, loja ou clínica?
Pra pessoa jurídica, o conserto pontual é só metade da conversa. Equipamento parado em comércio é venda perdida, e em ambiente de saúde a manutenção nem é opcional: entra a obrigação legal do PMOC (Plano de Manutenção, Operação e Controle). Nesses casos, mais que escolher quem conserta uma vez, vale avaliar um contrato de manutenção, que sai mais barato que apagar incêndio e mantém a documentação em dia. O critério de escolha da empresa é o mesmo deste guia, com um item a mais: ela precisa saber emitir a papelada que a fiscalização pede.
Achou a empresa? O que precisa estar na ordem de serviço
Antes de autorizar, confira se o documento (ou a mensagem formal) traz: identificação da empresa com CNPJ, defeito constatado por escrito, escopo do que vai ser feito, peça com marca e modelo, valores de serviço e de peça em linhas separadas, prazo de execução, condições de pagamento e prazo de garantia. Proposta séria costuma trazer até validade (a data em que aquele preço expira). Parece burocracia, mas são poucas linhas que transformam "combinado de boca" em compromisso. Se der problema, é esse papel (com a nota fiscal) que resolve no Procon, sem advogado.
Em São Paulo, sem chute
Se o seu ar parou em São Paulo, o caminho que a Watt segue é o mesmo que este guia cobra de qualquer empresa: visita técnica sem compromisso, defeito explicado antes do valor e proposta por escrito com serviço, peça, prazo, garantia e condições de pagamento, pra você decidir comparando, não confiando no escuro. Pode inclusive levar as seis perguntas deste guia pro nosso WhatsApp: elas valem pra Watt do mesmo jeito que valem pra qualquer outra. Se o aparelho não liga, não gela ou desarmou de vez, agende um conserto.