Em resumo: a instalação decide se o aparelho vai durar dez anos ou dar problema no primeiro verão, e ela custa mais barato que o próprio equipamento, o que faz muita gente economizar exatamente no lugar errado. Antes de fechar com qualquer empresa, confira:
- CNPJ ativo e nota fiscal da mão de obra (dá pra conferir de graça no site da Receita Federal).
- Se o instalador faz vácuo na tubulação. Essa é a pergunta que mais separa profissional de aventureiro. Quem "purga com o próprio gás" em vez de puxar vácuo está deixando ar e umidade dentro do sistema, e isso mata compressor.
- Orçamento por escrito e itemizado, separando mão de obra, metros de tubulação, suporte, material elétrico e o que for infraestrutura nova.
- Quem responde pelo dimensionamento. Se ninguém perguntou o tamanho e o uso do ambiente antes de dar o preço, ninguém dimensionou nada.
- Ponto elétrico dedicado. A partir de 18.000 BTUs a maioria dos modelos pede 220V e circuito exclusivo, com disjuntor e fiação próprios, como a ABNT NBR 5410 exige.
- Garantia por escrito da mão de obra, além da garantia do fabricante. Pela lei, serviço tem no mínimo 90 dias (Código de Defesa do Consumidor, art. 26).
Fuja de preço muito abaixo do mercado: a economia de R$ 200 na instalação costuma reaparecer como compressor queimado fora da garantia. E atenção, quase todo fabricante condiciona a garantia do aparelho a uma instalação feita conforme o manual.
Comprar o ar condicionado é a parte fácil. Você compara marca, olha o consumo na etiqueta, escolhe a capacidade e paga. Depois vem a parte que quase ninguém pesquisa com o mesmo cuidado, e que decide se aquele aparelho vai te servir por dez anos ou virar dor de cabeça em janeiro: quem vai instalar.
Vou te contar o que a gente encontra abrindo instalação de terceiro em São Paulo, e o que dá pra checar antes de fechar, mesmo sem entender nada de refrigeração.
Por que a instalação pesa mais que a marca
Um split sai da fábrica lacrado e testado. O que chega até você é um aparelho pronto, e a diferença de qualidade entre as marcas grandes é menor do que a propaganda sugere. O que varia muito, e é o que ninguém vê depois que a parede está fechada, é o serviço:
- A tubulação de cobre foi cortada, curvada e soldada do jeito certo, ou amassada até caber?
- O sistema recebeu vácuo antes de liberar o gás, ou o instalador só soltou refrigerante pra empurrar o ar pra fora?
- O dreno saiu com inclinação suficiente, ou vai devolver a água pra dentro da sua sala em três meses?
- A condensadora ficou num lugar que respira, ou entalada num nicho onde o calor não sai?
Nenhuma dessas quatro coisas aparece na nota fiscal do aparelho. Todas aparecem na conta de luz e na primeira falha.
Vácuo: a pergunta que filtra metade do mercado
Toda instalação de split precisa de vácuo: antes de liberar o gás refrigerante para o sistema, o instalador tem que retirar o ar e a umidade de dentro da tubulação com uma bomba de vácuo, como mandam os manuais dos fabricantes. É a etapa que mais se corta em serviço barato, e a que mais cara sai depois. Se você for guardar uma coisa só deste texto, guarde esta.
Quando isso não é feito, sobra ar e vapor de água misturados ao refrigerante. A umidade reage com o óleo do compressor e forma ácido, que corrói o sistema por dentro, ao mesmo tempo que o ar reduz a troca de calor e faz o aparelho gelar menos gastando mais. O aparelho funciona no dia da instalação, o cliente aprova o serviço, e a conta chega um ou dois anos depois na forma de compressor com defeito. Fora da garantia, porque o fabricante não cobre dano causado por instalação incorreta.
O atalho que aparece no lugar do vácuo tem nome no meio: purga. O instalador solta um pouco do próprio gás do aparelho pra empurrar o ar pra fora da tubulação. É mais rápido, dispensa equipamento e não custa nada pra quem faz. Também não funciona, porque não tira a umidade.
Então a pergunta, exatamente assim: "vocês fazem vácuo na tubulação antes de carregar o gás?" Uma empresa séria responde na hora que sim, e provavelmente vai falar do tempo de vácuo e do manifold. Quem enrola, muda de assunto ou responde que "não precisa em aparelho novo" acabou de te dar a informação que você queria.
As 6 checagens antes de fechar
Nenhuma delas exige conhecimento técnico:
- CNPJ ativo e nota fiscal da mão de obra. Consulta gratuita no site da Receita Federal. Sem nota, você não tem como cobrar garantia depois.
- Alguém olhou o ambiente antes de dar o preço. Pode ser visita ou vídeo, mas alguém precisa ter visto onde vai a evaporadora, onde vai a condensadora e por onde passa a tubulação. Preço fechado por telefone, sem nenhuma pergunta, é chute.
- Orçamento itemizado por escrito. Mão de obra, metros de tubulação inclusos, metro adicional, suportes, material elétrico e serviços de alvenaria precisam estar em linhas separadas.
- Quantos metros de tubulação estão inclusos. Quase todo orçamento cobre até 3 metros. Se o seu ponto exige 6, isso é diferença de preço, e é melhor descobrir agora que no dia da obra.
- Garantia da mão de obra, escrita. A garantia do aparelho é do fabricante; a do serviço é de quem instalou. As duas precisam existir, e a do serviço precisa estar no papel.
- Como fica a parte elétrica. A empresa vai usar o ponto que já existe ou vai passar circuito novo? Quem responde pela adequação do quadro?
As perguntas que separam empresa de aventureiro
Ligue e faça estas. As respostas dizem mais que qualquer avaliação de estrelas:
| Pergunte | Resposta que tranquiliza | Resposta que acende o alerta |
|---|---|---|
| Vocês fazem vácuo na tubulação? | Sim, com bomba de vácuo, e explica o processo | "Não precisa", "a gente purga com o gás" |
| Testam vazamento antes de liberar o gás? | Sim, pressuriza e verifica antes | "Se estiver gelando, está ok" |
| Que bitola de tubo vão usar? | A especificada no manual do modelo | "Uso o mesmo em tudo" |
| A tubulação vai isolada nos dois tubos? | Sim, os dois isolados | "Só o grosso precisa" |
| Quantos metros estão no preço? | Um número claro, com valor do metro extra | "Depois a gente vê" |
| Quem assina a garantia do serviço? | A empresa, por escrito | Só verbal, ou "confia" |
O que encarece uma instalação de verdade
Preço baixo não é sinônimo de golpe, e preço alto não é sinônimo de qualidade. O que existe é orçamento que considera o seu ponto e orçamento que ignora. Estes são os fatores que mudam o valor com razão:
- Distância entre as unidades. Mais tubulação, mais gás, mais mão de obra.
- Altura e acesso. Condensadora em fachada alta pede rapel, andaime ou plataforma, e isso muda tudo no orçamento.
- Infraestrutura do zero. Furar alvenaria, passar tubulação embutida e criar ponto elétrico novo é obra, não instalação simples.
- Adequação elétrica. Quadro sem espaço, ausência de circuito dedicado ou fiação subdimensionada precisam ser resolvidos antes, e isso é serviço de eletricista.
- Desnível entre evaporadora e condensadora. Cada fabricante define um limite; passar dele exige solução específica.
Como referência de mercado em São Paulo, a mão de obra de instalação de um split residencial de 7.000 a 12.000 BTUs costuma ficar na faixa de R$ 550 a R$ 1.100, subindo conforme a capacidade e a complexidade do ponto. A tabela por capacidade está na nossa página de instalação e manutenção de split. São faixas de mercado, não preço fechado: cada projeto é um projeto, e o número real sai depois de alguém ver o seu ponto.
Antes de escolher a empresa, saiba o tamanho do aparelho
Vale resolver esta parte primeiro, porque ela muda o orçamento e é onde o cliente mais aceita palpite. Se a empresa te oferecer uma capacidade sem perguntar a metragem, a insolação, o pé-direito e quanta gente usa o ambiente, ela não dimensionou: ela adivinhou.
O cálculo básico está em quantos BTUs o seu ambiente precisa, com tabela por metragem. Chegar na conversa sabendo esse número te coloca em outra posição: você deixa de aceitar o que for oferecido e passa a comparar propostas pelo mesmo escopo.
Sinais de alerta
- Preço muito abaixo dos outros. Instalação tem custo de material e de hora técnica. Muito abaixo do mercado significa que algo foi cortado, e o que se corta primeiro é justamente o que não se vê: vácuo, isolamento, suporte de qualidade.
- Pressa pra fechar hoje. Desconto que vence em duas horas é técnica de venda, não de engenharia.
- Nenhuma pergunta sobre o ambiente. Já falamos disso, mas é o alerta mais fácil de perceber.
- "A garantia é do fabricante, não minha". A empresa é responsável pelo serviço que executou.
- Sem endereço, sem CNPJ, só telefone. Se der problema em seis meses, você precisa achar essa empresa.
- Instalação inclusa "de brinde" na compra do aparelho. Pode ser boa, mas confirme quem executa, o que está incluso e quantos metros cobre. Brinde costuma vir com escopo mínimo.
Depois da instalação, confira 5 coisas
Antes de assinar que o serviço foi entregue:
- Ligue e meça. O ar tem que gelar de verdade, não só ventilar frio.
- Olhe o isolamento dos dois tubos de cobre, inclusive na parte externa. Cobre nu aparente é serviço inacabado.
- Confira o dreno. Peça pra ver a saída da água e se a mangueira desce em declive contínuo. Dreno malfeito é a causa mais comum de ar condicionado pingando água dentro de casa.
- Veja a condensadora: nivelada, sobre suportes firmes, com espaço livre em volta pra dissipar calor.
- Guarde tudo. Nota fiscal do aparelho, nota da instalação, garantia escrita e manual. Sem esses papéis a garantia do fabricante fica difícil de acionar.
Se for empresa, loja ou clínica, muda o jogo
Instalação em ponto comercial tem duas camadas a mais. A primeira é o dimensionamento por carga térmica, que é o método correto quando o ambiente tem porta abrindo o tempo todo, vitrine de vidro, ocupação alta ou equipamento gerando calor, como orienta a ABNT NBR 16401. A regra de bolso por metro quadrado quase sempre fica curta nesses casos, e o assunto está detalhado no guia de ar condicionado comercial.
A segunda é legal. Quando a soma da capacidade instalada passa de 60.000 BTU/h e o local recebe público, o estabelecimento precisa de PMOC, o Plano de Manutenção, Operação e Controle, exigido pela Lei 13.589/2018. Vale contratar a instalação já pensando nisso, porque o plano começa a valer no dia em que o sistema entra em operação, não quando a fiscalização aparece. O detalhe todo está em quando o PMOC é obrigatório.
Se o projeto é maior, com vários ambientes e controle individual, a conversa deixa de ser sobre splits e passa a ser sobre sistema central. Nesse caso vale ler como escolher VRF antes de pedir orçamento.
Em São Paulo
Se você está em São Paulo e quer usar essa lista pra comparar propostas, a Watt entra na comparação: trabalhamos com proposta itemizada e garantia do serviço por escrito, tanto em instalação de split quanto em climatização comercial de loja, escritório e clínica. Quem vai ver o seu ponto e responder pelo dimensionamento sou eu, Jeozadaque, líder técnico da Watt.
Se o aparelho que você tem hoje já foi instalado por outra pessoa e vive dando problema, o caminho é outro: comece por como escolher uma empresa de conserto.
Um último conselho de quem passa o dia consertando o que outro instalou: resolva isso antes de novembro. Quando o calor chega, a agenda de todo mundo fecha e a pressa é justamente o que faz gente aceitar instalação ruim. Dá pra começar por uma conversa sem compromisso pra entender o seu ponto. Cada projeto é um projeto.