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Sistemas15 min

Retrofit de ar condicionado: quando compensa e quando não

O sistema central do prédio está velho e alguém falou em retrofit. Veja os três tipos que a palavra esconde, quando cada um se paga, por que R-410A não entra em máquina de R-22 e o que levar pronto para a votação.

Jeozadaque Roberto

Jeozadaque Roberto

Líder Técnico

Em resumo: retrofit de ar condicionado é modernizar um sistema que já existe em vez de construir um novo do zero. Na prática, a palavra cobre três projetos bem diferentes: trocar o fluido refrigerante na mesma máquina, modernizar componentes e controle mantendo as máquinas, ou trocar as máquinas aproveitando dutos, tubulação e elétrica.

O erro mais comum é tratar o primeiro como simples. Não existe gás que substitua o R-22 sem mudança nenhuma no sistema, e o R-410A nem é opção para máquina de R-22: ele trabalha em pressão bem mais alta e é fluido de equipamento novo.

E retrofit nem sempre se paga. O estudo da UFMG apresentado no ENTAC 2024 calculou payback de 13 anos, com a economia trazida a valor presente, para trocar splits e splitões que ainda funcionavam, contra vida útil média de 15 anos desses aparelhos. Num segundo prédio, o investimento não voltava dentro da vida útil. A conta fecha melhor quando o sistema já está no fim da vida.

Você cuida de um prédio comercial, de uma clínica ou de um escritório com sistema central de 15 ou 20 anos, e alguém na assembleia ou na reunião de diretoria soltou a palavra "retrofit". Um fornecedor fala em "só trocar o gás", outro em trocar tudo, um terceiro em automação. Os três chamam de retrofit, e os orçamentos não se comparam.

Este guia separa os três tipos, mostra quando cada um faz sentido e onde está o risco, e lista o que precisa estar pronto antes da votação.

O que é retrofit de ar condicionado

Retrofit de ar condicionado é a modernização de um sistema de climatização existente, aproveitando parte do que já está instalado, para ganhar eficiência, trocar um fluido refrigerante em eliminação ou recuperar capacidade e confiabilidade. A palavra vem da construção civil (retrofit de fachada, de prédio) e, no ar condicionado, cobre três escopos:

O que é retrofit de ar condicionado
EscopoO que mudaO que fica
1. Troca de fluidoO gás refrigerante e, conforme o caso, óleo, vedações e filtro secadorA máquina inteira
2. Componentes e controleAutomação, controle, inversores em bombas e ventiladores, isolamento, filtragemAs máquinas principais
3. Troca das máquinasCondensadoras, evaporadoras, chiller ou self containedDutos, rede frigorífica (se aprovada), elétrica, estrutura, drenos

Quando alguém te oferece "retrofit", a primeira pergunta é: de qual dos três ele está falando?

Qual é o caso do seu prédio

Antes de pedir orçamento, vale enquadrar a situação. O caminho costuma seguir o estado das máquinas:

Qual é o caso do seu prédio
Situação do sistemaCaminho mais provável
Máquinas mais novas, conta de luz alta ou conforto desigual entre andaresRetrofit de componentes e controle
Máquina de R-22 bem conservada, com folga de capacidade e vazamento já resolvidoConversão de fluido, com aval do fabricante
Máquina de R-22 com vazamento recorrente, peça fora de linha ou no fim da vidaTroca de máquina aproveitando a infraestrutura
Tudo funcionando, e o objetivo é só ganhar eficiênciaTalvez ainda não compense: faça a conta antes

Retrofit 1: trocar o fluido na mesma máquina

Trocar só o fluido é o retrofit mais barato na entrada e o que mais esconde risco: exige um gás compatível com a máquina, ajuste de óleo e vedações e a aprovação do fabricante. É o escopo que mais aparece em sistema antigo de R-22, o gás que dominou o ar condicionado comercial por décadas e está em eliminação pelo Protocolo de Montreal, o acordo internacional de proteção da camada de ozônio.

Para saber qual gás o seu sistema usa, olhe a etiqueta de identificação da condensadora: ela traz o fluido refrigerante (aparece como R-22 ou HCFC-22) e a carga de fábrica. O histórico de recargas no PMOC do prédio também registra o fluido de cada máquina.

O R-22 não está proibido. A importação segue uma cota anual decrescente, que cai forte até 2027 e zera em 2040, e o post sobre quanto tempo dura um ar condicionado detalha esse cronograma. Recarregar é legal; o gás só fica mais escasso, e a recarga, mais cara, a cada ano.

R-410A e R-32 não entram em máquina de R-22

É comum ler que retrofit é "trocar o R-22 por R-410A ou R-32". Na mesma máquina, isso não existe.

  • R-410A trabalha em pressão bem mais alta que o R-22. A EPA, a agência ambiental dos Estados Unidos, afirma na página de perguntas frequentes sobre a eliminação do R-22 que não existem substitutos "drop-in" (que entrariam direto, sem ajuste) para o HCFC-22 e que os fluidos alternativos não funcionam bem sem mudanças nos componentes do sistema. O material técnico da ABRAVA (Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento) lista o R-410A como substituto do R-22 apenas em equipamentos novos.
  • R-32 também é fluido de equipamento projetado para ele. Além da pressão, ele é classificado como A2L (levemente inflamável), o que exige compressor, componentes e instalação compatíveis.

Se o plano é sair do R-22 para R-410A ou R-32, o projeto real é o retrofit 3: troca de máquina.

Qual gás substitui o R-22 na mesma máquina

O substituto do R-22 numa máquina existente é um fluido de retrofit, formulado para trabalhar na faixa de pressão do R-22. Os mais citados são o R-407C, o R-438A e o R-427A, todos da família HFC (hidrofluorcarbonos, que não destroem a camada de ozônio). O mercado chama esses fluidos de "drop-in", e o apelido engana: todos pedem ajuste. O guia da ABRAVA exige desempenho parecido, temperatura de descarga e pressão dentro do limite, materiais e óleo compatíveis; o óleo muda conforme o fluido escolhido (o detalhe está nas perguntas frequentes abaixo).

Na prática, dois riscos precisam estar no orçamento. Os dois vêm do FAQ técnico da Chemours, fabricante do R-438A (Freon MO99):

  • Perda de capacidade. A Chemours informa variação típica de 5% a 10% abaixo do R-22 e diz que a maioria dos substitutos tem capacidade menor que a do gás original. Se o sistema já trabalha no limite em janeiro, essa perda aparece como ambiente que não esfria.
  • Vedações. Segundo o mesmo FAQ, quando o R-22 sai do sistema, as borrachas de vedação encolhem e tendem a não voltar ao tamanho, abrindo caminho para vazamento. A orientação da Chemours é trocar as vedações críticas no retrofit.

Quem autoriza a conversão é o fabricante do equipamento ou do compressor. A própria Chemours admite que nem todo fabricante de equipamento aprova fluido de retrofit e manda consultar o fabricante sobre garantia.

Quando a troca de fluido faz sentido

Faz sentido quando a máquina ainda tem anos de vida pela frente, está bem conservada, tem folga de capacidade para absorver a perda e o vazamento que obrigava recargas foi achado e corrigido, o que pede uma manutenção corretiva com diagnóstico de vazamento antes da conversão. Em máquina no fim da vida, a conta inverte: você paga a conversão e, dois anos depois, paga a troca.

Retrofit 2: modernizar componentes e controle, mantendo as máquinas

Modernizar componentes e controle é o retrofit que ataca o desperdício de operação sem trocar as máquinas principais. É o escopo menos falado e, em muito prédio, o de melhor custo-benefício, porque parte do desperdício de um sistema antigo está na forma como ele opera.

O que costuma entrar:

  • Automação e controle central. Horário de funcionamento por zona, limite de temperatura, desligamento de área vazia. Sistema que liga às 7h em todos os andares, inclusive nos desocupados, gasta sem entregar nada.
  • Inversor de frequência em bombas e ventiladores, principalmente em sistema de água gelada, onde bombas e ventiladores da torre de resfriamento rodam em velocidade fixa mesmo quando a carga térmica cai. Se o prédio tem chiller, o post de manutenção preventiva de chiller mostra o que precisa estar em ordem antes de mexer no controle.
  • Isolamento térmico de dutos e da rede de água gelada. O estudo da UFMG apresentado no ENTAC 2024 apontou a verificação do isolamento dos dutos como uma das maiores dificuldades na avaliação de prédio existente.
  • Filtragem e renovação de ar, que mexem na qualidade do ar e na carga térmica ao mesmo tempo.
  • Balanceamento e limpeza de rede. Duto sujo ou desbalanceado entrega menos ar onde precisa. A limpeza de dutos costuma vir antes de qualquer conclusão sobre "falta de capacidade".

Faz sentido quando as máquinas estão saudáveis e o problema é conta de luz alta, reclamação de conforto desigual ou operação sem controle. Não resolve o problema do R-22 nem o de máquina no fim da vida. Num prédio com vários andares e sistemas misturados, esse levantamento de operação faz parte de um projeto de climatização comercial.

Retrofit 3: trocar as máquinas aproveitando a infraestrutura

É o retrofit mais caro e o que mais muda o resultado. Sai o equipamento (condensadoras, evaporadoras, self contained, chiller) e fica o que ainda serve: dutos, casa de máquinas, bases, drenos, parte da elétrica e, em alguns casos, a tubulação de cobre.

O reaproveitamento é onde está a economia de obra, e também onde estão as armadilhas:

  • Tubulação de cobre de R-22. O reaproveitamento depende do que o manual de instalação do equipamento novo permite. Há linhas feitas para isso: o manual de instalação do VRV de substituição da Daikin (série RQYQ) aceita tubo existente desde que ele suporte pressão de projeto de 3,3 MPa, esteja sem corrosão e tenha a espessura mínima de parede tabelada para cada diâmetro. Fora do que o manual autoriza, é tubo novo.
  • Elétrica. Máquina nova pode ter corrente de partida e alimentação diferentes. Quadro, cabo e proteção precisam ser conferidos contra os dados da máquina nova.
  • Dutos. Dutos em bom estado costumam ser o melhor ativo que o prédio tem para aproveitar, desde que a vazão da máquina nova seja compatível e a rede esteja limpa e isolada.

É também o momento de reavaliar a tecnologia. Um prédio que roda com self contained (máquina compacta que reúne o sistema num só gabinete) ou splitão (split de grande capacidade, em geral ligado a dutos) pode migrar para VRF (Volume de Refrigerante Variável: uma condensadora atende vários evaporadores e ajusta a potência por ambiente) ou manter um sistema de ar central com dutos. Trocar de tecnologia muda o quanto da infraestrutura se aproveita, e isso precisa aparecer no estudo, antes da obra. O guia de como escolher um sistema VRF aprofunda os critérios dessa decisão, e o projeto e instalação de VRF é onde essa migração vira obra.

Em prédio ocupado, a obra é feita por etapas (andar a andar, fim de semana, período de menor uso), e o cronograma pesa tanto quanto o preço.

Quando o retrofit não compensa

O retrofit não compensa quando se troca máquina que ainda funciona só para ganhar eficiência: a economia de energia é real, mas raramente paga o investimento dentro da vida útil que resta. O melhor dado público que encontrei vem da UFMG: o artigo Análise de eficiência energética e de retrofit do sistema de ar-condicionado de edificações universitárias, de Ana Paula Silva Souza, Larissa Arêdes Monteiro e Roberta Vieira Gonçalves de Souza, apresentado no ENTAC 2024.

As autoras avaliaram dois prédios da universidade pela INI-C (a instrução do Inmetro que classifica a eficiência energética de edificações comerciais, de serviços e públicas) e simularam a troca dos aparelhos existentes, que tinham classificação B, por modelos que levariam o sistema à classe A. O resultado:

Quando o retrofit não compensa
PrédioCusto estimado do retrofitEconomia anual estimadaPayback
CAD 2R$ 312.754R$ 44.54613 anos
CAD 3 (só splitão)R$ 582.878R$ 26.490Mais de 135 anos

Como as autoras calcularam: a economia de energia foi trazida a valor presente com juros de 12,25% ao ano (a taxa Selic usada pelas autoras), e o custo soma o preço dos aparelhos mais 30% para instalação, sem obra civil. Por isso o payback do CAD 2 dá 13 anos, e não os cerca de 7 da divisão simples.

A conclusão do artigo é direta: o retrofit se mostrou inviável técnica e economicamente, considerando vida útil média de 15 anos dos aparelhos do estudo (splits e splitões), e a troca é recomendada quando eles estiverem no fim da vida útil.

Como líder técnico da Watt, eu, Jeozadaque, tiro três lições desse estudo para quem vai votar:

  1. O selo de eficiência não decide sozinho. As autoras notam que aparelhos com a mesma classificação A têm diferenças grandes de desempenho e de custo-benefício. Compare o consumo e o preço de cada opção além da letra da etiqueta.
  2. A conta muda quando o sistema já está no fim da vida. Aí a troca vai acontecer de qualquer jeito, e a pergunta deixa de ser "vale trocar?" para virar "qual máquina colocar e quanto da infraestrutura dá para aproveitar?".
  3. O custo do R-22 e o custo de parada entram na conta. O estudo mediu só energia. Num prédio comercial com máquina de R-22 que vaza toda temporada, recarga cada vez mais cara e risco de ficar sem climatização em janeiro também são dinheiro.

Como fazer a conta antes de votar

Um retrofit se paga quando o investimento volta antes do fim da vida útil que resta ao sistema. A pergunta para a assembleia ou a diretoria é "em quanto tempo isso volta, e cabe no tempo que o sistema ainda tem?". A conta tem estas entradas:

  • Investimento total (capex): equipamento, projeto, instalação, adequação elétrica, obra civil e o custo de operar com parte do prédio parada durante a obra.
  • Economia medida. Parta da fatura de energia do prédio, e desconfie de "economia de X%" de catálogo sem medição por trás; o famoso "inverter economiza 30%" não aparece como dado oficial.
  • Custo evitado: recargas de R-22, corretivas recorrentes, peças fora de linha.
  • Vida útil restante do equipamento que vai ser trocado. Aqui não existe número único. A premissa de 15 anos da EPE (Empresa de Pesquisa Energética) vale para o ar condicionado residencial, e os 15 anos do estudo da UFMG, para os splits e splitões avaliados. Em sistema comercial, a referência varia por equipamento: chiller e dutos costumam durar mais que self contained e splitão. A tabela de vida de serviço da ASHRAE registra mediana acima de 25 anos para chiller centrífugo e, nos dados mais antigos da mesma tabela, 30 anos para dutos e 15 para split residencial. São medianas estatísticas de equipamentos em uso nos Estados Unidos, e nenhuma delas garante a vida da sua máquina: use a idade e o estado do equipamento que está em jogo.

O payback simples, investimento dividido pela economia anual, é o piso otimista: ele ignora juros e o valor do dinheiro no tempo, e o estudo da UFMG mostra quanto isso pesa. Se nem o payback simples cabe na vida que resta ao sistema, o retrofit de eficiência não se paga, e faz mais sentido reservar o dinheiro para a troca no fim da vida.

Para empresa, a Receita Federal ainda atribui 10 anos de vida útil contábil ao aparelho de ar condicionado (IN RFB nº 1.700/2017), prazo fiscal que ajuda a planejar a substituição no orçamento.

O que levar para a assembleia ou a diretoria

Uma proposta de retrofit que chega à votação sem estes itens vai gerar discussão e pouca decisão:

  1. Inventário do sistema: idade, capacidade e fluido de cada máquina, e estado de dutos e tubulação.
  2. Diagnóstico por escrito do que está ruim e por quê: capacidade, vazamento, consumo, peça fora de linha.
  3. Pelo menos dois cenários comparáveis, com o mesmo escopo descrito do mesmo jeito. "Retrofit" sem escopo não se compara.
  4. Investimento separado em equipamento, projeto, instalação, elétrica e obra.
  5. Consumo de base tirado da fatura, e a premissa de economia de cada cenário, com a origem do número.
  6. Cronograma e faseamento da obra com o prédio funcionando.
  7. Responsabilidade técnica: projeto com ART (Anotação de Responsabilidade Técnica), emitida por engenheiro registrado no CREA que assina o projeto.
  8. Destino do gás e do equipamento antigo. A Instrução Normativa IBAMA nº 5/2018 proíbe liberar o fluido na atmosfera e obriga o recolhimento, com envio para regeneração ou incineração. Já o descarte do equipamento de empresa segue a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/2010), que responsabiliza o gerador do resíduo.
  9. Atualização do PMOC, que é o próximo tópico.

Retrofit e PMOC: o plano precisa acompanhar a obra

O PMOC (Plano de Manutenção, Operação e Controle) é exigido pela Lei 13.589/2018 em ambientes climatizados de uso coletivo, e a Portaria 3.523/1998 do Ministério da Saúde usa o patamar de 5 TR (60.000 BTU/h) para exigir responsável técnico habilitado. Prédio comercial com sistema central passa disso com facilidade.

O plano descreve os equipamentos, as rotinas e a periodicidade de manutenção. Depois de um retrofit, com máquina nova, fluido diferente ou automação nova, o PMOC antigo descreve um sistema que não existe mais. Atualizar o plano junto com a entrega da obra evita que a documentação fique desalinhada numa fiscalização. Se o prédio ainda não tem plano, o PMOC para empresas em São Paulo é o ponto de partida, e a manutenção preventiva com plano documentado mantém o sistema novo rodando dentro dele.

Por onde começar

Se o sistema do seu prédio está no fim da vida, roda R-22 com vazamento recorrente ou gasta mais do que deveria, o primeiro passo é um levantamento: inventário, diagnóstico e os cenários lado a lado, antes de qualquer orçamento de obra.

A Watt faz esse levantamento em prédios comerciais, clínicas e escritórios de São Paulo, como no Itaim Bibi, do diagnóstico ao projeto. Quando o escopo pede ART, ela é emitida por engenheiro habilitado que assina o projeto. A visita de levantamento é sem compromisso, a proposta sai por escrito e itemizada, e às vezes a resposta honesta é "ainda não é hora de trocar". Não existe preço de tabela para retrofit, porque o escopo muda tudo: cada projeto é um projeto. Se quiser o levantamento com os cenários prontos para a votação, fala com a gente.

Perguntas Frequentes
  • O que é retrofit no ar-condicionado?+

    Retrofit no ar condicionado é modernizar um sistema existente aproveitando parte do que já está instalado, em vez de fazer um projeto novo do zero. Na prática, o termo cobre três escopos diferentes: trocar o fluido refrigerante na mesma máquina (o caso típico do R-22), modernizar componentes e controle mantendo as máquinas (automação, inversores, isolamento) ou trocar as máquinas aproveitando dutos, tubulação e elétrica. Antes de comparar orçamentos, vale confirmar de qual dos três cada fornecedor está falando, porque custo, risco e resultado mudam completamente.

  • O que é retrofit na refrigeração?+

    Na refrigeração, retrofit costuma ser usado no sentido mais estreito: converter um equipamento que usa um fluido em eliminação, como o R-22 ou o antigo R-12, para operar com um fluido alternativo que não destrói a camada de ozônio. O material técnico da ABRAVA define retrofit exatamente assim e lista as condições para a conversão dar certo: desempenho parecido, temperatura de descarga e pressão dentro do limite do compressor e da tubulação, materiais compatíveis e óleo lubrificante compatível com o novo fluido.

  • Qual gás substitui o R-22?+

    Depende de onde ele vai entrar. Em máquina nova, o R-22 foi substituído pelo R-410A e, mais recentemente, pelo R-32. Na máquina de R-22 que já existe, esses dois não servem, porque trabalham em pressão mais alta e exigem equipamento projetado para eles. Para a máquina existente existem fluidos de retrofit, como o R-407C, o R-438A e o R-427A. Nenhum entra sem ajuste, e o óleo é um bom exemplo: segundo o FAQ técnico da Chemours, fabricante do R-438A, a maioria dos grandes fabricantes de compressor exige remover mais de 99% do óleo mineral para converter para R-407C, enquanto o R-438A foi formulado para trabalhar com o óleo mineral existente na maioria dos sistemas. Conforme o caso, também é preciso trocar vedações e filtro secador, e a capacidade costuma cair. O fabricante do equipamento ou do compressor é quem aprova a conversão.

  • Posso colocar R-410A ou R-32 no lugar do R-22?+

    Não na mesma máquina. O R-410A trabalha em pressão bem mais alta que o R-22, e a EPA, agência ambiental dos Estados Unidos, afirma que não existem substitutos drop-in para o R-22 e que os fluidos alternativos não funcionam bem sem mudanças nos componentes. A ABRAVA lista o R-410A como substituto do R-22 apenas em equipamento novo. O R-32, além da pressão, é classificado como levemente inflamável (A2L) e pede equipamento e instalação compatíveis. Se o objetivo é sair do R-22 para um desses gases, o projeto é trocar a máquina.

  • Vale a pena converter uma máquina de R-22 em vez de continuar recarregando?+

    Depende do estado da máquina, e são três caminhos. Continuar recarregando é legal, mas o R-22 fica mais escasso e mais caro a cada ano, e recarregar máquina com vazamento é pagar o mesmo gás várias vezes (o cronograma da cota está no guia de quanto tempo dura um ar condicionado, aqui no blog). Converter para um fluido de retrofit faz sentido quando a máquina está bem conservada, o vazamento foi achado e corrigido, há folga de capacidade para absorver a perda e o fabricante aprova a conversão. Trocar a máquina é o caminho quando o vazamento é recorrente, faltam peças ou o equipamento já está no fim da vida, porque aí a conversão só adia uma troca que vai acontecer de qualquer jeito.

  • Retrofit de fluido perde capacidade?+

    Normalmente, sim. A Chemours, fabricante do R-438A (Freon MO99), um dos fluidos de retrofit mais usados, informa em seu FAQ técnico uma variação típica de 5% a 10% abaixo do R-22, e diz que a maioria dos substitutos tem capacidade menor que a do gás original. Em sistema com folga, a perda passa despercebida. Em sistema que já trabalha no limite nos dias mais quentes, ela aparece como ambiente que não chega à temperatura. Por isso a conversão exige avaliar a carga térmica antes, não depois.

  • Quanto custa um retrofit de ar condicionado?+

    Não existe faixa de mercado confiável para retrofit, porque o termo cobre desde uma conversão de fluido até a troca de todas as máquinas de um prédio. Para ter uma ordem de grandeza real, o estudo da UFMG apresentado no ENTAC 2024 estimou R$ 312.754 para trocar os aparelhos de um prédio universitário e R$ 582.878 para outro, já com 30% sobre o preço dos aparelhos para instalação e sem contar obra civil. O custo depende do escopo, do porte, da tecnologia escolhida e de quanto da infraestrutura dá para aproveitar. Peça o orçamento separado em equipamento, projeto, instalação, elétrica e obra: cada projeto é um projeto.

  • Retrofit de ar condicionado vale a pena?+

    Vale mais quando o sistema está perto do fim da vida. Trocar máquinas que ainda funcionam só para ganhar eficiência raramente se paga: no estudo da UFMG apresentado no ENTAC 2024, com a economia trazida a valor presente a juros de 12,25% ao ano, o payback foi de 13 anos num prédio e passou de 135 anos no outro, contra vida útil média de 15 anos dos splits e splitões avaliados. A divisão simples do custo pela economia daria cerca de 7 anos no primeiro prédio, mas ela é o piso otimista, porque ignora o valor do dinheiro no tempo. A conta fecha melhor quando o sistema já está no fim da vida, porque a troca vai acontecer de qualquer jeito e o aproveitamento de dutos e infraestrutura reduz o investimento. Modernizar controle e automação costuma ter retorno mais rápido que trocar máquina.

  • Qual a diferença entre retrofit e trocar o ar condicionado?+

    Trocar o ar condicionado, no sentido comum, é substituir o aparelho inteiro, com instalação nova. Retrofit é modernizar aproveitando parte do que existe: pode ser só o fluido, só o controle, ou as máquinas mantendo dutos, tubulação e elétrica. Num aparelho split de casa, a diferença quase some e a decisão é consertar ou trocar, assunto do guia de quanto tempo dura um ar condicionado aqui no blog. Num sistema central de prédio, a infraestrutura vale muito, e aproveitá-la é o que define um retrofit.

  • Dá para aproveitar a tubulação de cobre do R-22 num sistema novo?+

    Às vezes. O reaproveitamento depende do que o manual de instalação do equipamento novo permite. Há linhas feitas para isso: o manual do VRV de substituição da Daikin (série RQYQ), por exemplo, aceita a tubulação existente desde que ela suporte pressão de projeto de 3,3 MPa, esteja sem corrosão e tenha a espessura mínima de parede tabelada para cada diâmetro. Fora do que o manual autoriza, a tubulação precisa ser nova. A verificação precisa ser feita antes do orçamento fechado, e não durante a obra.

  • Retrofit precisa de ART e de atualização do PMOC?+

    Projeto de retrofit em sistema de climatização comercial deve ter responsável técnico, com ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) emitida por engenheiro registrado no CREA. Quanto ao PMOC, o Plano de Manutenção, Operação e Controle: a Lei 13.589/2018 exige PMOC em ambientes climatizados de uso coletivo, e a Portaria 3.523/1998 usa o patamar de 5 TR (60.000 BTU/h) para exigir responsável técnico habilitado; prédio comercial com sistema central passa disso com facilidade. O plano descreve os equipamentos e as rotinas, então, depois do retrofit, ele precisa ser atualizado para refletir o sistema novo.

  • Dá para fazer retrofit com o prédio funcionando?+

    Na maioria dos casos, sim, com a obra dividida em etapas: andar por andar, em fins de semana ou em períodos de menor uso. O cronograma depende do escopo. Uma conversão de fluido deixa a máquina parada por pouco tempo; uma troca de máquinas exige planejamento de içamento, elétrica e desligamentos. O faseamento precisa estar na proposta que vai para a votação, porque o custo de operar com parte do prédio parada também entra na conta.

  • Existe retrofit de chiller?+

    Existe, e os três escopos valem para ele: conversão de fluido em chiller de R-22 (sujeita à aprovação do fabricante do compressor), modernização do sistema de água gelada (controle, inversores em bombas e torres, isolamento) e troca do chiller aproveitando rede hidráulica, bombas e casa de máquinas. Na conversão, há um limite importante: os fluidos de retrofit do R-22 são misturas com glide (a temperatura muda durante a evaporação) e, em geral, não são recomendados para evaporador inundado, tipo usado em muitos chillers; a própria Chemours faz esse alerta para o R-438A. Nesses casos o caminho costuma ser trocar a máquina. Em sistema de água gelada, a parte hidráulica e o controle costumam concentrar um desperdício que a troca da máquina sozinha não resolve.

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